segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A Roseira do Silêncio...















Ela colhia as rosas do caminho. Na sua mão o aroma se cristalizava em pétalas de poesia, guardando, assim, a vida na brevidade sublime dos sentimentos. Nem um arranhão (o mais profundo que fosse) direcionava o fluxo dos seus pensamentos. O silêncio vestia a sua respiração a cada passo no abismo.

Ela plantava palavras sem espinhos, mas o mundo não apreciava tanta gentileza sem objetivos obscuros. A claridade sempre fica sobre a suspeita do comum.

Ela, acostumada com a solitária dança de vida interior, nunca ficou muito tempo fora de si!...

A roseira, no bordado do silêncio, a espera do vento, com o seu sopro transgressor a acariciar todas as suas rosas e, no pensamento, revelar o seu amor...

A roseira plena de silêncio vulcânico (en)cantou o vento, ele que nunca tinha amado tanto, pois desconhecia que as roseiras existissem.


Mas, ela, numa solidão de Rosa, entendeu logo que tudo é passageiro, até o vento. Deixou dentro dela a luz que nunca apaga, no seu transporte de transcendência...



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Google 





16 comentários:

  1. Su, amiga!

    Primeiro lembrei-me tanto de ti hoje, nunca mais te
    enviei aquele email longo (tipo jornal...rss) e tu,
    nunca mais mesmo me escreveu (sei o quanto tu és ocupada,
    não é uma cobrança...rss). Quando chego aqui e vejo esta
    prosa encantadora e de uma beleza sublime de alma, a tua eu
    conheço muito bem, a luz que emite.
    Como compreendo e sei o que é isso:
    "Ela plantava palavras sem espinhos, mas o mundo
    não aprecia tanta gentileza sem objetivo obscuros.
    A claridade sempre fica sobre a suspeita do comum."
    Simplesmente magistral, minha querida amiga!!
    O título, a imagem e a prosa poética numa harmonia
    da tua original e bela arte poética.
    Beijos e abraço saudoso e cheio de admiração do
    teu enorme talento!
    Nara.

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    1. Narinha,

      Captou a minha saudade de ti,amiga.Quem Mandou
      tu sair da nossa terrinha natal, essa distância
      geográfica é tão chata...rss
      Sempre grata com a tua presença luminosa e
      generosa da verdadeira amizade nesta minha casa
      virtual que também é tua,viu?...rss
      Para não receber reclamação vestida de
      queixa amiga, vou te escrever (email) um jornal
      de uma extensão na mesma distância geográfica
      que nos separa, me aguarde?!...rss
      Beijos e abraço cheios de saudades e gratidão!

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  2. do teu manto de Poesia, soltam-se milagres...
    não de Pão, mas de outras bênçãos.

    belo teu "Milagre das Rosas"

    beijo

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  3. É tão importante colher as rosas do caminho, apesar dos espinhos. É lugar comum dizer-se que a vida é bela, e é; apesar dos abismos e dos revezes da fortuna.
    Desconsolador que quem faça da sua vida um projecto de delicadeza e de poesia concreta, acabe por parecer aos olhos dos outros como um peixe fora de água, quando afinal tão bem respira a beleza e a claridade, para além das aparências do carrossel que a pequena "humanidade" decidiu adoptar para reger vazios.
    Transgredir é enquanto criação, o atalho para a transcendência pessoal, onde o eu na sua riqueza interior se torna capaz de abarcar num simples gesto, num simples instante, o sentido da vida. Porque tudo é passageiro.
    Delícia de texto, Suzete. Adorei!
    xx

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  4. Por mais que duvidem de tudo, haverá sempre os que colhem rosas e mantêm seu perfume para além das mãos. Que o vento as leve, não importa, pois a essência já foi há muito colhida e alimenta sua luz. Muito belo, querida Suzete! bjs.

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  5. e eloquente mensagem sobre o saber estar no mundo. Ousar ser gentil (como se fora uma flor de estufa, isto é, delicado, sensível) pode até ser tomado, nesta sociedade egocêntrica e de gritaria, como fraqueza. Mas só vale a pena viver se formos como a tua "Rosa".
    Muito bom este teu texto, pleno de poesia e filosofia.
    BJO, querida amiga :)

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  6. Suzete,
    É bom mergulhar no fantástico e no sublime mundo das tuas palavras...

    Beijo

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  7. Todas as flores se desfolham

    até tu ROSA

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  8. Suzete , posso parecer repetitiva , mas sua escrita é tão doce e delicada que encanta sobremaneira . Destaco : " Mas , ela , numa solidão de Rosa , entendeu logo que tudo é passageiro , até o vento . "
    Agradeço a belíssima partilha . Beijos.

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  9. Um poema no formato prosa que nos faz pensar em jardins floridos onde as roseiras se destacam.Certamente nenhum arranhão se fará sentir,
    abraços Suzete

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  10. Um texto belíssimo e cheio de poesia.
    Você é poeta, sabia?
    Bom fim de semana, amiga Suzete.
    Beijo.

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  11. Olá querida Suzete,

    Plantar palavras sem espinhos é coisa de alma nobre e evoluída, que não teme as trevas que podem circundá-la através da incompreensão (dureza) mundana. Delicadeza é uma flor perfumada, que encanta qualquer jardim, ainda que o mundo possa entendê-la como simples e interesseira moeda de troca.
    Tudo é mesmo passageiro, exceto essa luz inapagável que ilumina o interior dela.

    Lindíssima prosa poética.

    Beijo.

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  12. Que linda manifestação trazes aqui!
    Que o perfume deste mundo se espalhe cada vez mais, para o nosso encantamento.
    Parabéns pelo labor, meu carinho e gratidão pelo acesso.

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  13. Ah, essas viagens interiores, tecidas em silêncio, depuradoras de incómodos ruídos...!
    Muito belo, Suzete!

    Um beijinho :)

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  14. Ah, essas viagens interiores, tecidas em silêncio, depuradoras de incómodos ruídos...!
    Muito belo, Suzete!

    Um beijinho :)

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