domingo, 14 de fevereiro de 2016

Um Voo sem Ruflar de Asas












Na pele, onde a minha alma soprada,

Marcas invisíveis delimitam a minha essência floral.

Na sombra destas marcas existem dores guardadas

No puro cristal da minha fragilidade.


Nesta solidão tão minha,

Aveludada em minha singularidade,

As palavras são mudas em notas de Noturno.


Somente quando voo

Sem ruflar de asas,

Escrevo o meu verbo, eu sou

No substantivo

Da liberdade.


E sei que nada de mim

É para sempre,

Mas quero a minha

Passagem bem leve,

Um voo sem ruflar de asas

No anonimato do mundo.



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)


Imagem: Obra de Lidia Wylangowska.


Quero partilhar este sentir poético com uma Grande
Poeta e uma Mulher muito Especial, Laura Santos!

Laura,
Apenas um carinho de uma amiga virtual,
que voa na mesma sintonia do respirar a vida!...





19 comentários:

  1. Um voo sem ruflar de asas... Que conceito, Suzete!
    Adorei!

    Um beijinho :)

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  2. Su, amiga querida!
    Estou sem palavras para expressar a minha admiração e
    encanto em relação a este teu belo poema-eu, que me
    identifico no meu eu, é como se fosse um auto-retrato
    do Ser por dentro. E que Ser é o teu, amiga, de uma
    singularidade aveludada que me comove e
    faz sentir uma gratidão de ser tua amiga de tantos
    anos.
    Que lindo o teu carinho por esta Poeta
    Laura Santos que deve ser uma pessoa encantadora
    para merecer a tua atenção!...

    Te adoro, amiga!!
    Beijos e abraço saudosos!
    Nara.


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  3. em teu estilo bem marcante, desnudas a essência de teu Ser permites a partilha de tua "aveludada singularidade" no suavidade e vibração das notas de um piano afinadissimo.

    e num rasgo de teu génio poético, escreves teu verbo "no substantivo da Liberdade"

    momento alto de poesia, minha Amiga.

    beijos

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  4. errata:

    "essência de teu ser e pemites..."

    "aveludada singularidade, na suavidade..."

    peço desculpa

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  5. Suzete , a leveza que deseja passar pela vida é demonstrada na sua lírica escrita . Parabéns pela pessoa que é . Sensível , generosa e grande poeta . Beijos

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  6. Oh Suzete!!
    Às vezes só nos encontramos sozinhos no meio da multidão. O mundo interior pode ser extremamente vasto e com vários labirintos por descobrir; uns porventura mais floridos do que outros. Podemos encontrar nos salões de nós o mais belo jardim, ou o mais árido dos desertos, dependendo das circunstâncias, e de tudo o que a vida decidiu colocar sem aviso à nossa frente; boas e más surpresas. Para umas contribuímos, para outras, não. Talvez seja poeta, como tu és, e tu sim, das Grandes, mas ser poeta é para mim a forma de estar só no meio dessa multidão que a poesia sobrevoa muito para além da espuma deslizante, ordinária e por vezes, traiçoeira dos dias. Mas também existem os instantes de descoberta da essência do outro, na igualdade e não na estranheza, quando as almas que voam leves (ou pesadas), de forma anónima e sem espalhafato, "sem ruflar de asas", conseguem observar do alto da sua finitude a verdade e a beleza, e o seu voo de passagem assume o propósito da singularidade. Só assim se é livre: sendo a nossa própria possibilidade.
    O teu poema é excelente, e o teu sentido de dádiva e de partilha é, esse sim, especial.
    Muito grata pelo carinho. O respeito e afecto são mútuos. Porque sei que a sensibilidade é algo que só sabe apresentar-se de forma espontânea, sem calculismos de última ou primeira hora, embora virtualmente, sinto a transparência da tua personalidade.
    Obrigada por tudo, querida, porque as palavras têm valor próprio e tu sabes usá-las de forma elevada, e sempre impregnadas de emoção, mas assim só me deixas sem jeito...:-)
    É um privilégio Ler-te.
    xx

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  7. Tudo é efemero na confluência das mágoas e dos sonhos que com que a vida nos cerca...
    Um belo poema!
    Beijos.

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  8. Querida Suzete,

    E depois dessa mensagem de Laura, minha passagem aqui é só para ratificar as palavras dela sobre o privilégio de Ler-te. Note que mantenho deliberadamente a inicial maiúscula. Porque também concordo que ler-te é para ser grafado com a inicial maiúscula porque é mesmo singular a sua poesia. E conhecendo singularidade da poesia de Laura, natural que "o respeito e afeto sejam mútuos".
    Um belo poema para a simplicidade de uma moça do outro lado do oceano que não parece estar tão longe...

    Abraço afetuoso com o assombro do frevo que não se apaga em nossos entremeses (risos)!

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  9. Essa não é uma solidão de vazio, mas de rico interior, de sensibilidade ímpar, de mente atenta ao que existe em volta e ao que pede o dentro. Há uma grande transparência em seus escritos, a exibir simplicidade nos desejos, como esse voar silencioso e anônimo.
    A homenagem que fez à Laura, com esse presente, é por demais merecida. Vocês duas lidam com as palavras de forma magnífica. E ambas me encantam pelo talento inquestionável de seus escritos. Grande beijo!

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  10. É muitas vezes importante ser discreto.
    Não gostei nada deste poema, adorei, minha querida amiga. Porque é excelente.
    Boa semana, Suzete.
    Beijo.

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  11. Suzete,
    Um voo sem ruflar de asas pode ser a busca da liberdade no mais puro silêncio.
    Uma boa semana.
    Abraços.

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  12. Os seres mais sensíveis passam levemente. O ruflar de asas existe, mas não se ouve... uma alma bela tem sempre asas.

    Sensibilizada pela tua presença carinhosa em 'fragmentos culturais'
    Um beijo

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  13. Os seres mais sensíveis passam levemente. O ruflar de asas existe, mas não se ouve... uma alma bela tem sempre asas.

    Sensibilizada pela tua presença carinhosa em 'fragmentos culturais'
    Um beijo

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  14. Que lindo!
    Que haja um novo verso a impulsionar o teu voo.
    Meu carinho.

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  15. Que lindo!
    Que haja um novo verso a impulsionar o teu voo.
    Meu carinho.

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  16. Sendo a pele o maior órgão do sentir, nela tudo fica tatuado e tudo pode, através dela, ser voo. Em silêncio. Sós. Até encontrarmos outras almas solitárias...
    Adorei!
    (Linda e merecida referência à amiga Laura Santos.)
    BJOS, querida Suzete :)

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