
Arrumou a mala e partiu na primeira luz da lua e não sentiu
os pés no chão. As palavras, todas em fila, fizeram poeira na estrada sem
caminho.
A sensação do desapego lhe colocou o sopro de liberdade,
inalado, quando os seus cabelos voavam no vento, prateados, nascidos da lua.
Ela entendeu que a respiração é sagrada, vestida de paz.
Num elo simples com a lua, respirou esta paz bem devagar, tudo
mudou de tamanho. Sentiu a vida brotando nas partículas do silêncio, apreciando
a dança sem plateia. Com a certeza absoluta que o silêncio é a sua melhor
música, arrumando todos os seus pontos de sensibilidades, liberados neste sopro
essencial de alma.
Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)
Imagem: Obra de Richard S. Johnson.
O silêncio que habita todas as coisas leva-nos num voo sem tempo.
ResponderExcluirMaravilhoso texto, minha amiga. Um primor do ponto de vista estético.
Uma boa semana.
Beijos.
Muitas vezes queremos essa liberdade e essa paz, e lutamos com todas as nossas forças para atingir esse objetivo, inutilmente. Mas com o passar dos anos, quando os cabelos ficam prateados, vemos que isso não é tão difícil assim.
ResponderExcluirBeijo grande, querida amiga.
Um texto em prosa poética que é um autentico hino à leveza da alma, quando se encontra em paz.
ResponderExcluirum voo no espírito e nas palavras.
muito belo!
beijinhos
:)
Vim escutar o piano e ouvi um leve respirar nas pausas postas em pauta.
ResponderExcluirA Poeta toca com a leveza de um anjo.
Bj.
Leio-te e vejo-te a ser e a agir assim "vestida de paz", com o rosto sereno e sorriso discreto, mas iluminado e inspirador. Ainda que ficciones, é sempre a Alma o teu leitmotiv nos escritos. A leveza, súmula do conteúdo, e a beleza, imanência poética da forma.
ResponderExcluirBjo, querida Suzete :)
" Ela entendeu que a respiração é sagrada , vestida de paz ."
ResponderExcluirMaravilha , minha amiga Suzete .
Obrigada . Beijos
Há um tempo para levitar, interiorizando, há um tempo para pousar, arrumando.
ResponderExcluirMuito belo, Suzete.
Um beijinho :)
Quando a poesia nos sopra leveza e paz, o desapego é uma feliz consequência. Apetece arrumar a mala e partir dançando ao som da nossa própria melodia.
ResponderExcluirÉ um texto que nos eleva, minha querida Suzete.
Beijinho.
Há silêncios, que são mesmo essenciais...
ResponderExcluirTão verdade!... Muitas vezes o silêncio, será mesmo a melhor das músicas!...
Eu tenho necessidade da minha dose de silêncio diário... para me arrumar e entender, por dentro...
Mais um poema incrível, Su!
Beijinhos!
Ana