segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Sopro Essencial de Alma





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Arrumou a mala e partiu na primeira luz da lua e não sentiu os pés no chão. As palavras, todas em fila, fizeram poeira na estrada sem caminho.

A sensação do desapego lhe colocou o sopro de liberdade, inalado, quando os seus cabelos voavam no vento, prateados, nascidos da lua.

Ela entendeu que a respiração é sagrada, vestida de paz.

Num elo simples com a lua, respirou esta paz bem devagar, tudo mudou de tamanho. Sentiu a vida brotando nas partículas do silêncio, apreciando a dança sem plateia. Com a certeza absoluta que o silêncio é a sua melhor música, arrumando todos os seus pontos de sensibilidades, liberados neste sopro essencial de alma.



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Richard S. Johnson.



9 comentários:

  1. O silêncio que habita todas as coisas leva-nos num voo sem tempo.
    Maravilhoso texto, minha amiga. Um primor do ponto de vista estético.
    Uma boa semana.
    Beijos.

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  2. Muitas vezes queremos essa liberdade e essa paz, e lutamos com todas as nossas forças para atingir esse objetivo, inutilmente. Mas com o passar dos anos, quando os cabelos ficam prateados, vemos que isso não é tão difícil assim.

    Beijo grande, querida amiga.

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  3. Um texto em prosa poética que é um autentico hino à leveza da alma, quando se encontra em paz.
    um voo no espírito e nas palavras.
    muito belo!
    beijinhos
    :)

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  4. Vim escutar o piano e ouvi um leve respirar nas pausas postas em pauta.
    A Poeta toca com a leveza de um anjo.
    Bj.

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  5. Leio-te e vejo-te a ser e a agir assim "vestida de paz", com o rosto sereno e sorriso discreto, mas iluminado e inspirador. Ainda que ficciones, é sempre a Alma o teu leitmotiv nos escritos. A leveza, súmula do conteúdo, e a beleza, imanência poética da forma.
    Bjo, querida Suzete :)

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  6. " Ela entendeu que a respiração é sagrada , vestida de paz ."
    Maravilha , minha amiga Suzete .
    Obrigada . Beijos

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  7. Há um tempo para levitar, interiorizando, há um tempo para pousar, arrumando.
    Muito belo, Suzete.

    Um beijinho :)

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  8. Quando a poesia nos sopra leveza e paz, o desapego é uma feliz consequência. Apetece arrumar a mala e partir dançando ao som da nossa própria melodia.
    É um texto que nos eleva, minha querida Suzete.
    Beijinho.

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  9. Há silêncios, que são mesmo essenciais...
    Tão verdade!... Muitas vezes o silêncio, será mesmo a melhor das músicas!...
    Eu tenho necessidade da minha dose de silêncio diário... para me arrumar e entender, por dentro...
    Mais um poema incrível, Su!
    Beijinhos!
    Ana

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