domingo, 28 de fevereiro de 2016

Ser Viajante...













Eu não sei jogar.

Deixo aos grandes jogadores,

Com o seu tabuleiro de vida

Em xadrez,

Que eles façam as suas apostas.


Eu não sei jogar,

O meu olhar é muito transparente

E as verdades pulam dele

No mergulho do profundo nada .


Eu não sei jogar,

As minhas mãos permanecem limpas.

A limpidez da palavra consciência

Cabe nela, como uma faça

Corta ao meio o desvio....


Eu não sei jogar,

Artifícios e armadilhas

Que me fizeram,

Ficaram desativados,

Como obstáculo nulo.


Eu não sei jogar,

competição me provoca náuseas.

Gosto de sentir somente o ruflar 

Das borboletas coloridas que guardo dentro de mim.

Solto-as no quarto escuro das ilusões

E elas trazem o meu sorriso de volta...


Não sei jogar,

Todos os meus sonhos me pertencem

E cabem nos meus olhos de viajante.







Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Vladimir Volegov.






sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A Luminosa Marisa Monte...

        

                    A Marisa Monte trilha um caminho próprio
                    na arte da música: poesia, melodia e uma
                    maneira própria de Ser, sem estrelismo,
                    sem badalação de mídias, respira e
                    transmite a sua filosofia simples de vida...
                    Sou fã e a dificuldade foi de escolher a
                    música entre tantas.
                    Para quem conhece e quem não conhece
                    A luminosa Marisa Monte!

                    Beijo e Abraço de Paz!   


             

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A Roseira do Silêncio...















Ela colhia as rosas do caminho. Na sua mão o aroma se cristalizava em pétalas de poesia, guardando, assim, a vida na brevidade sublime dos sentimentos. Nem um arranhão (o mais profundo que fosse) direcionava o fluxo dos seus pensamentos. O silêncio vestia a sua respiração a cada passo no abismo.

Ela plantava palavras sem espinhos, mas o mundo não apreciava tanta gentileza sem objetivos obscuros. A claridade sempre fica sobre a suspeita do comum.

Ela, acostumada com a solitária dança de vida interior, nunca ficou muito tempo fora de si!...

A roseira, no bordado do silêncio, a espera do vento, com o seu sopro transgressor a acariciar todas as suas rosas e, no pensamento, revelar o seu amor...

A roseira plena de silêncio vulcânico (en)cantou o vento, ele que nunca tinha amado tanto, pois desconhecia que as roseiras existissem.


Mas, ela, numa solidão de Rosa, entendeu logo que tudo é passageiro, até o vento. Deixou dentro dela a luz que nunca apaga, no seu transporte de transcendência...



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Google 





sábado, 20 de fevereiro de 2016

       



                   


                            Adorada Rita Lee e Milton Nascimento
                            (a voz) - Nesta música única:
                            Mania de Você!....

                            Beijo e Abraço de Paz!


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O Dia Que Não Anoitece...













O fogo acende veloz e ardente

 a espalhar o sol nascido na nossa pele.

O desejo renasce suavemente

 na órbita dos segundos de pura insanidade libertadora...


O fogo acende veloz e ardente

num caminho sem volta,

a matar a nossa respiração na leveza da alma.


O fogo guia as mãos em nossas claridades...


E ponto a ponto, gesto a gesto,

numa dança de olhares, a minha boca

desce na lua plantada no teu desejo.


Ficamos fogo, brasa e sol no dia que não anoitece!...



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Lídia Wylangowska. 






domingo, 14 de fevereiro de 2016

Um Voo sem Ruflar de Asas












Na pele, onde a minha alma soprada,

Marcas invisíveis delimitam a minha essência floral.

Na sombra destas marcas existem dores guardadas

No puro cristal da minha fragilidade.


Nesta solidão tão minha,

Aveludada em minha singularidade,

As palavras são mudas em notas de Noturno.


Somente quando voo

Sem ruflar de asas,

Escrevo o meu verbo, eu sou

No substantivo

Da liberdade.


E sei que nada de mim

É para sempre,

Mas quero a minha

Passagem bem leve,

Um voo sem ruflar de asas

No anonimato do mundo.



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)


Imagem: Obra de Lidia Wylangowska.


Quero partilhar este sentir poético com uma Grande
Poeta e uma Mulher muito Especial, Laura Santos!

Laura,
Apenas um carinho de uma amiga virtual,
que voa na mesma sintonia do respirar a vida!...





terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Passos da Música do Silêncio...











Quando os olhos sangram

Diante das palavras antagônicas

Ao cetim da alma,

O sublime

Recolhe-se nas dobras do espanto.


Fica em mim a sede da inocência da entrega.


Deixo os meus olhos molhados

Do rio

Que em mim não seca.

A emoção é cortante na pele

Quando a pureza sentida

É uma tatuagem de caráter.


Não importa a gravidade dos arranhões,

Estes nunca atingirão a essência cristalina

Que não se curva diante da frivolidade.


A pureza nas linhas da mão, brotada de lavanda,

Em etéreo perfume, silenciam as palavras frias.


O peso do engano não vale sobressair

Sobre os passos da música do silêncio.






Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)


Imagem: Obra de  Lídia  Wylangowska.




segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A Voz Divina Do Milton Nascimento....


   

                   

                       Amo esta música na voz divina
                       do Milton Nascimento!!
                       Depois de escutar esta música,
                       ecoará para sempre na alma! ...
                       Beijo e Abraço de paz!  


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

O Pequeno Aprendiz...












Estava eu na sala de espera da minha odontóloga aguardando a minha vez, uma espera sem ansiedade. Deixo as horas descansando, enquanto fico com os olhos viajando por mais um livro de Clarice Lispector; uma coleção de contos curtos a me dar sabor diferenciado dos demais, que esperam com um barulho de conversas, mastigando a seco aquelas horas lentas, rotineiras com destino a ficar sentados com a boca aberta na cadeira da dentista.

Somente me desligo dessa viagem das letras, um pouco antes de ser a próxima no trono da dentista. Quando lá chego, uso o meu recurso de meditação para relaxar na adversidade extrema. Afinal, com a boca aberta, ficamos totalmente disponíveis, e numa concordância exemplar. Confesso que não tenho nenhuma predisposição para a passividade, neste momento me restando encontrar em mim a pacificação meditativa. Sempre faço uma checagem no meu corpo, corrigindo as tensões; se os meus pés estiverem esticados, relaxo; se os braços estiverem segurando a cadeira, deixo-os caírem acompanhando o relaxamento de todo corpo. Aquele sonzinho da broca nhen nhen  nhen, transformo no som do mar (sempre será a minha bela paisagem na cabeça) e fico boiando com o corpo relaxado... Procuro boiar no mar calmo sem ondas, basta de agitação!...

Hoje teve uma novidade neste cenário de espera: um menininho de três anos de idade, um viajante, um andarilho pelo corredor a examinar tudo com muita sede de apreender o mundo à sua volta. Uma bolsa depositada numa cadeira era um objeto de estudo muito interessante, primeiro a forma, depois a cor e, por último, como uma caixa que pode ser aberta e com muitas outras coisas novas. Afinal bolsa de mulher tem tudo dentro, se calhar, cabe até um gato no seu mais respeitado sono... Ele era sempre interrompido pela jovem mãe, que dizia: não, Bernardo!

Aquele pequeno aprendiz me envolveu de uma forma encantadora. E começamos o nosso diálogo; primeiro com o olhar, depois uma troca de sorriso e, finalmente, a escuta da minha voz pronunciando o seu nome. No momento em que ele, disparado correndo na aventura de ser livre, a sua mãe gritava ordenando  para voltar em sua direção. Quando pronunciei o seu nome, ele parou, me olhou. Completei a frase: A mamãe está chamando e apontei na direção dela. Ele balançou a cabeça e foi ser abraçado pela doçura da mãe. Em outro momento se aproximou de mim, bem pertinho. Fiz carinho nos seus cabelos e alguns instantes estabelecemos um reconhecimento de dois aprendizes da vida em movimento... Eu disse para sua mãe que criança saudável tem curiosidade sobre a vida, tudo é novidade que entra pelos olhos a serem tocados. Ela, com um sorriso, concordou e agradeceu. Pensei em agradecer ao Bernardo por permitir a minha participação na celebração dele com a vida, mas me lembrei de que as palavras aqui são desnecessárias.

Antes de entrar na sala da dentista, dei meu adeus e beijinhos soprados, ao que ele correspondeu. Fui para o meu mar (imaginário) e ele, com a vida inaugural...





Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)


Imagem: Obra de Chelin Sanjuar.



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Não Sou a Palavra que Rasga a Tua Voz












       
Não sou a palavra que rasga a tua voz.

Às vezes posso Ser silêncios que observam

As tuas escolhas,

Sempre sem a (minha) intromissão.

Quero a verdade em todas as cores

Desarrumadas

Desalinhadas

Na tua imperfeição.


Não acredito na modelagem do outro,

Na aparência do avesso do que se é.

Quero sempre comigo a nua estrada

Na essência de Ser livremente,

Palavra dada de coração alado em busca

Da boca pedida,

No corpo na medida

E alma expandida de perfume em combustão...


Quero os teus olhos meus

No movimento de perdição.

A tua certeza no passeio em que me abarca,

Num único modo

De (A)Mar em mim...


Quero que venhas

Com toda a perfeição dos teus olhos

Que sabem que

Eu sou o teu infinito!...




Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)


Imagem : Obra de Daniel Gerhartz.