
Ela deixou as palavras ocuparem os seus lugares e, num ponto
de observação, vestiu as suas mãos de significados invisíveis aos olhos nus.
Num aceno de adeus deixou sentires únicos vibrar com as asas
emprestadas da sua vizinha de árvore vista da janela - uma Bem-te-vi-, que generosamente doou a possibilidade do voo
num espaço etéreo dos sonhos guardados; escritos no guardanapo rosa da poesia
sem nome e sem estrada.
Ela foi neste céu sem nuvem. Nenhuma palavra morta circulava
e gestos de pássaros inscritos de silêncios, deixaram as suas belas lembranças passearem
por dentro, acordando delicadamente o imprescindível sentir.
Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)
Imagem: Obra de Richard S. Johnson.