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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Grandes Poemas Que Eu Adoro




Unidade


Minh’alma estava naquele instante
Fora de mim longe muito longe

Chegaste
E  desde logo foi verão
O verão com as suas palmas os seus mormaços os seus
                                                  [ventos de sôfrega mocidade
Debalde os teus afagos insinuavam quebranto e molície
O instinto de penetração já despertado
Era como uma seta de fogo

Foi então que minh’alma veio vindo
Veio vindo de muito longe
Veio vindo
Para de súbito entrar-me violenta e sacudir-me todo
No momento fugaz da unidade.


Autor: Manuel Bandeira.

Livro: poesias reunidas Estrela Da Vida Inteira.



Manuel Bandeira: Nasceu na cidade do Recife, Pernambuco, no dia 19 de abril de 1886. Em 1913, Manuel Bandeira convive com o poeta francês Paul Éluard, nesta partilha com o poeta possibilita para a poesia do Bandeira o verso livre, o tornando o mestre do verso livre no Brasil. Em 1921, conhece Mário de Andrade e colabora com a revista modernista e se engaja no ideário modernista. Em 1940 foi eleito para Academia Brasileira de Letras. Ao completar oitenta anos, em 1966, publica “Estrela da Vida Inteira”. Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho faleceu no Rio de Janeiro, no dia 13 de outubro de 1968. 




                    





segunda-feira, 6 de março de 2017

Grandes Poemas Que Eu Adoro...






Para ti

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só olhar
amando de uma só vida



Autor: Mia Couto. 
Livro:Mia Couto [poemas escolhidos]
             seleção do autor
             Apresentação José Castello
             Companhia das Letras

Mia Couto: Nasceu em 1955 na Beira, Moçambique.
                    É biólogo, jornalista e autor de mais de
                    trinta livros, entre prosa e poesia.
                    Recebeu uma série de prêmios
                    literários, entre eles o Camões em 2013.








                                       
                                       
                            Belíssima música de Lenine e 
                            Lula Queiroga que toca bem
                            profundo na onda da alma...
                            Embalado pelo ritmo Pernambucano
                            da Ciranda.

                             Vou ali na onda da Ciranda e
                             volto logo...
                             Beijos e Abraço de paz!


terça-feira, 22 de novembro de 2016

Grandes Poemas Que Eu Adoro!...




Paisagem pelo telefone



Sempre que no telefone 
me falavas, eu diria 
que falavas de uma sala 
toda de luz invadida,
sala que pelas janelas, 
duzentas, se oferecia 
a alguma manhã de praia, 
mais manhã porque marinha,
a alguma manhã de praia 
no prumo do meio-dia, 
meio-dia mineral 
de uma praia nordestina,
Nordeste de Pernambuco, 
onde as manhãs são mais limpas, 
Pernambuco do Recife, 
de Piedade, de Olinda,
sempre povoado de velas, 
brancas, ao sol estendidas, 
de jangadas, que são velas 
mais brancas porque salinas,
que, como muros caiados 
possuem luz intestina, 
pois não é o sol quem as veste 
e tampouco as ilumina,
mais bem, somente as desveste 
de toda sombra ou neblina, 
deixando que livres brilhem 
os cristais que dentro tinham. 

Pois, assim, no telefone 
tua voz me parecia 
como se de tal manhã 
estivesses envolvida,
fresca e clara, como se 
telefonasses despida, 
ou, se vestida, somente 
de roupa de banho, mínima,
e que por mínima, pouco 
de tua luz própria tira, 
e até mais, quando falavas 
no telefone, eu diria 

que estavas de todo nua, 
só de teu banho vestida,
que é quando tu estás mais clara
pois a água nada embacia,
sim, como o sol sobre a cal 
seis estrofes mais acima, 
a água clara não te acende: 
libera a luz que já tinhas.


Autor: João Cabral de Melo Neto.

João Cabral de Melo Neto: (Recife, 9 de janeiro de 1920 - Rio de Janeiro, 9
de outubro de 1999). Além de grande poeta, foi um diplomata brasileiro.
Pertenceu a geração de 45, terceira geração do modernismo.
Ao longo da sua trajetória de poeta escritor foi merecidamente agraciado com
diversos prêmios e honras literárias.
Foi membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Pernambucana
de letras. A sua poesia tinha como estrutura linguística, estética e formal na
base racional e num trabalho constante de aperfeiçoamento. O poeta era
avesso ao sentimentalismo e a inspiração. Neste aspecto da inspiração eu
discordo, para mim, a poesia inspirada tem um encantamento único.