
Ela com as mãos carregava as pedras do caminho, enquanto a
mente se esvaziava de algum lixo implantado. A sua respiração completa sem
corda bamba equilibrava os dias no meio fio das ruas distantes da sua casa.
Procurava olhar o céu
junto com a terra à espera do mar, que sempre transforma os elétrons da
vertigem dos enganos.
Ela deixava as nuanças
das cores da vida no seu coração de criança, que sempre dava corda no seu
relógio de pulsações.
Cada instante é uma
nova vida com uma palavra nascida no poema vazio.
Ela possuía nas mãos o
vazio que cresceu do poema, e plantou uma roseira das raízes do seu silêncio.
Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)
Imagem: Obra de Daniel Gerhartz.