
Arrumou a mala e partiu na primeira luz da lua e não sentiu
os pés no chão. As palavras, todas em fila, fizeram poeira na estrada sem
caminho.
A sensação do desapego lhe colocou o sopro de liberdade,
inalado, quando os seus cabelos voavam no vento, prateados, nascidos da lua.
Ela entendeu que a respiração é sagrada, vestida de paz.
Num elo simples com a lua, respirou esta paz bem devagar, tudo
mudou de tamanho. Sentiu a vida brotando nas partículas do silêncio, apreciando
a dança sem plateia. Com a certeza absoluta que o silêncio é a sua melhor
música, arrumando todos os seus pontos de sensibilidades, liberados neste sopro
essencial de alma.
Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)
Imagem: Obra de Richard S. Johnson.