domingo, 23 de setembro de 2012

Trazias nas Mãos a Rosa do Infinito...






Num dia triste
Presenteastes-me com uma rosa
Uma rosa que falava...
Em suas pétalas-palavras
De um sentir infinito...
O seu perfume
Reconectou-me com a
Essência bela
Do milagre
       Vida.

As páginas (em mim) de
Lembranças dolorosas
Foram substituídas
Pelas pétalas vermelhas
Que carregavam o sublime
Brilho dos teus olhos
Renascendo o dia
Em teu porto-luz.

Trazias nas mãos a rosa
Do infinito...
Plantastes em mim
A eternidade...

Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)


sábado, 15 de setembro de 2012

Caminho do Vazio

                                      
                               


Caminhas
Como quem não sabe nada
E do nada saber
Os teus pensamentos tem o universo
Que gira o todo
Não precisas da arrogância
Dos pseudo-sábios
Não carregas o peso do
Ego inflável
Não gritas em nome
Do respeito
Não bajulas os
Medíocres
Apenas, caminhas
Na leveza com o tempo
Passos largos
Do olhar sorridente
Um toque de ironia
Na seriedade cotidiana:
O circo
Os astros
A platéia
Tudo inútil na
Marcação ensaiada.

Não usa as palavras
Na mesmice de trocas
Preserva o código
Do mistério,
O rio no mesmo curso
Das emoções genuínas
Ações contínuas
Do universo interno
Coerente.

Velhas idéias,
Opiniões formadas no verniz
Do ego,
Construções de espaço
Para o novo
Para o não exato
Para os desafios
E o espaço do vazio:
Consciência
Análise
Renovação.


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)



sábado, 1 de setembro de 2012

O dia começa com a tua luz...

                                    

                


Sabes, mãe,
penso em ti
          e,
              ao pensar,
tudo me leva ao amor,
num  rio calmo, sereno,
              feito de lágrimas,
que corre desenhando a minha
                        alma ao encontro da tua.
E uma saudade desfolhada
               de uma tristeza transcendida,
                       translúcida de alegria,
                                 preenche o verdadeiro espaço
                                       da tua presença,
                                               que me diz baixinho:
- Cabeça erguida, filha.
                           Cabeça erguida...
Olho,
         e o sol nasce.
O dia começa com a tua luz!...


   
     



 Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Dedicado à minha mãe (Dia 05/09 faria 81 anos) e a minha saudade sempre...

Aviso: Partilhar com todos este sublime presente, a voz do poema com

 a belíssima declamação do amigo e grande poeta Filipe Campos Melo.


       

                

sábado, 25 de agosto de 2012

Elo Perdido

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Que espécie é essa  que se diz que evoluiu?
Que espécie é essa, tristemente humana
             a brotar das sombras feito um bicho?
Desaprendeu a preservar a espécie
            ou se perdeu no código genético?

Tivesse eu nascido pássaro
            teria já sido caçado.
Tivesse eu nascido felino
           estaria com a cabeça perdurada numa parede.
 Tivesse eu nascido pingüim
          ficaria à deriva
nas geleiras que aceleradamente se dissolvem.

O bicho homem que
Caça,mata,destrói
Em seu nome:
Preconceito
Maldade
Ambição
Prazer
Desrespeito.
Na madrugada com facadas,
Em pleno dia, assassinato encomendado.
Cilada, caçada, armadilha,
Abandono,
A miséria a céu aberto.

Que espécie é essa, o homem?
Queima índio, mendigo
Violenta, humilha os seus,
Joga as suas crias em saco ao rio.
Somos a evolução do macaco. (será?)

Quando o lado direito do cérebro será povoado com:
Arte,
Poesia,
Sensibilidade,
Meditação?...
Acordarão esses indivíduos para
a busca do seu elo perdido?

Mas, há luz
No final do túnel
        A
  A   M  A  R
        O
        R      

 Suzete Brainer (Direitos autorais registrados).

    

domingo, 19 de agosto de 2012

Poema Para Narciso.

    

         
É preciso
silenciar
as palavras,
o oculto,
o barulho externo
cortante,
que atravessa a alma
insistindo
em plantar o lixo alheio.
As tuas falas
o cenário caótico do desespero,
atuação precária
de dono da verdade,
freneticamente focado ao poder
do dinheiro,
numa ilusão profunda de si mesmo.
Não, não diz não ao que
Pode ser chamado de ti...
Resta ainda um ser
que um dia foi criança,
sem texto ensaiado,
encantava com a inocência
uma platéia maior,
que não aplaudia,
mas, te amava
e levava a doce lembrança
do brilho da tua alma.
E agora?
a tua alma está
numa encruzilhada
que não ecoa no
grande espaço,
espelho e palco,
onde
o teu ego
    fica...

Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Tao Vivo.

                 
      

   Eu me desfaço
   diariamente
  dos encantos
  e artifícios:
  simplesmente
  permaneço em mim.

  Da página em branco
  vou recolhendo os dias,
  me defino na sua cor
  e melodia.
  Silencio barulhos e
      dissonâncias,
  pausadamente
  me deixo por inteira
  em dança da escolha
  do entardecer do sentir.

  Quando noite fico,
  a completude das estrelas
  embala o meu sono.
  E, nessa jornada consciente
  da minha alma
  que (en)canta
  o essencial,
  teço  a invisibilidade dos fatos
  no virtual
  apagar do real...

Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)



terça-feira, 31 de julho de 2012

Vozes Amigas nos Muros do Mundo.

                





Vozes amigas nos muros

Do mundo

Destroem as muralhas das

Indiferenças

Petrificadas em paredes

Humanas


Edificam-se gestos nas palavas

                    Ternos mudos passos

São voz tempo sonho

(Nossa voz é só uma)


Corpos anônimos

Carregam matérias vazias

De sentimentos...


        São nadas

São flores plantadas no asfalto


A minha voz encontra

A tua, amiga,

Formando pontes

De amizade

Entre mares e

Céus azuis estrelados

Vestidos de poesia

Em unidade humana


Somos nota do mesmo compasso

                              Verso da mesma letra

Almas unidas entre os espaços


Nas cores em partículas

Sonhadas de um mundo

Sem muros;

Sem olhos tristes de

Solidão cortante...


Todo o sonho tem a cor das pedras caídas

Da luz que entra em vitrais

                                  (Nossa letra é só uma)

Muros?

Em molduras

Arte em movimento

Vozes do mundo

Germinando

Sentimentos

Novos horizontes desenhando

Vidas que se interligam

No universo em movimento


Nascem estrelas no vazio

                     Cometas cruzam os mares

Muralhas quebram-se em pó

O que nos liga é a Palavra

                A voz é só uma, nosso traço


E o que ilumina

A nossa vida

E nossos passos.





                                                              Dueto :  Suzete Brainer e Maria João Mendes.  



domingo, 29 de julho de 2012

Memória Afetiva.

                

  
Guardei o teu rosto
Na janela do meu
Sorriso:
Ficastes sereno
À minha espera,
Num dia de sol...

Tudo em ti,
Permanece...
Em música
Escala crescente
Palavras revestidas
De melodia
Que toca ininterruptamente
O piano
Em minha alma...
Te levarei sempre
Como um sentir
Eterno
Sem despedidas.

Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)


segunda-feira, 16 de julho de 2012

CLARICE LISPECTOR MORA EM MIM...

                           


Clarice?
Moras em mim,
Bem perto,
Coração e mente,
Juntos no dialogo:
Com palavras soltas,
Que correm em busca da criação,
Sem nenhuma perfeição,
Sem nenhum critério,
Sem nenhuma armadura de sofisticação,
Sem nenhuma pretensão de eternidade.
Liberdade cheirando a natureza...
Solidão escolhida,
Bem escolhida,
Dias sim,
Dias sim
Bem dentro de mim.
Clarice Lispector?
Minha companheira das aventuras imaginárias,
Escrita nas paginas da vida,
Com seus mistérios intactos,
Enigmas,
Fatos,
Relatos.
O oculto permanece,
Em rosas vivas de um coração que sangra,
Mas brilha,
Um brilho único de renovação.
A menina que “roubava rosas com cem anos de perdão”
Morou sempre na mulher gigante da criação.
Seguindo os teus passos,
Não me separo da minha menina sorridente,
Que brinca, distraidamente pelos  dias...
Clarice,
Obrigada por cada palavra tua lida,
Sentida,
Entendida,
Assim de mãos dadas contigo,
Estrangeiras do mundo,
Das formas,
Do padrão...
Corro na loucura do banho de chuva,
Depois na segurança dos meus lençóis,
Mergulho nos sonhos,
Só meus,
E de mais ninguém.
Carrego o universo sem peso,
Com a leveza de quem está de passagem,
Passagem...

Suzete Brainer (Direitos autorais registrados).

Conselho: Ler Clarice Lispector faz bem para mente, coração e alma.


sábado, 7 de julho de 2012

O MEU OLHAR QUE NÃO MUDA O MUNDO-UM BREVE DESENGANO...

        


               
          Olho
                E não encontro
          O gentil no
                Humano...
         O outro
         É um mero
               Engano
        De páginas viradas
               O avesso
        Do nada
               Inscrito
               Num vazio
       De um coração
                Petrificado
       Esquecido
       Do
                Inicio
       Amar...


       A entrega
                É uma tarefa
       Cada vez mais
                Difícil
      Um processo de
                 Risco...
      Estranhamente
                 As palavras são
      Moedas de troca
                De um mundo
                Sem volta
      Desprovido de história
                De um começar...

     A tristeza sitiada
     Refletida por essa
     Realidade sem cor
                Seres sem alma
                           Sem rosto
                           Sem dor
    Povoam
                 Esse mundo
                 Sem pudor...

   Novamente,
   O meu grito mudo,
   Inadequado
   Incapaz
   Impotente
   Que se esconde
                 Apenas,
   No meu olhar que não muda o mundo...


Aviso: Um breve desengano, mas existem e sempre existirão

 pessoas que fazem a diferença, uma cor que dilui as sombras...

Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)
        
  
       

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Por Onde Andas Longe de Mim?

                     



                                             Moras na terra do nunca...

                                             O teu fantasma me acorda

                                             o teu sussurro não me assusta.

                                             O teu encanto chama a minha

                                             alma adormecida.


                                             Não se esqueça de mim

                                             os meus olham que cruzam com

                                             os teus

                                             assim, assim...

                                             As minhas mãos que tocam

                                             O teu coração

                                             marcando o nosso

                                             encontro.


                                            Estou aqui,
                              
                                                Perto...

                                            E tu,

                                           Por Onde Andas

                                           Longe de Mim?



                                     (Inspirado no título de peça teatral do Recife.)

                                     Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)