terça-feira, 22 de novembro de 2016

Grandes Poemas Que Eu Adoro!...




Paisagem pelo telefone



Sempre que no telefone 
me falavas, eu diria 
que falavas de uma sala 
toda de luz invadida,
sala que pelas janelas, 
duzentas, se oferecia 
a alguma manhã de praia, 
mais manhã porque marinha,
a alguma manhã de praia 
no prumo do meio-dia, 
meio-dia mineral 
de uma praia nordestina,
Nordeste de Pernambuco, 
onde as manhãs são mais limpas, 
Pernambuco do Recife, 
de Piedade, de Olinda,
sempre povoado de velas, 
brancas, ao sol estendidas, 
de jangadas, que são velas 
mais brancas porque salinas,
que, como muros caiados 
possuem luz intestina, 
pois não é o sol quem as veste 
e tampouco as ilumina,
mais bem, somente as desveste 
de toda sombra ou neblina, 
deixando que livres brilhem 
os cristais que dentro tinham. 

Pois, assim, no telefone 
tua voz me parecia 
como se de tal manhã 
estivesses envolvida,
fresca e clara, como se 
telefonasses despida, 
ou, se vestida, somente 
de roupa de banho, mínima,
e que por mínima, pouco 
de tua luz própria tira, 
e até mais, quando falavas 
no telefone, eu diria 

que estavas de todo nua, 
só de teu banho vestida,
que é quando tu estás mais clara
pois a água nada embacia,
sim, como o sol sobre a cal 
seis estrofes mais acima, 
a água clara não te acende: 
libera a luz que já tinhas.


Autor: João Cabral de Melo Neto.

João Cabral de Melo Neto: (Recife, 9 de janeiro de 1920 - Rio de Janeiro, 9
de outubro de 1999). Além de grande poeta, foi um diplomata brasileiro.
Pertenceu a geração de 45, terceira geração do modernismo.
Ao longo da sua trajetória de poeta escritor foi merecidamente agraciado com
diversos prêmios e honras literárias.
Foi membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Pernambucana
de letras. A sua poesia tinha como estrutura linguística, estética e formal na
base racional e num trabalho constante de aperfeiçoamento. O poeta era
avesso ao sentimentalismo e a inspiração. Neste aspecto da inspiração eu
discordo, para mim, a poesia inspirada tem um encantamento único. 







                          


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O Toque do Voo





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Um toque meu
no teu olhar de voo.
Tudo fica leve na
nudez das nossas mãos.

As palavras giram
em minha volta,
a colar nos meus
movimentos
toda a rota do
teu corpo.

O toque das tuas mãos
Na minha cintura
E a dança na amplitude
Dos nossos gestos,
Pousam na sala
Sem parede.
Ficamos na janela
Dos nossos olhos!...



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Richard S. Johnson.



quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Poesia e Música Que Eu Adoro!...





     Por Toda a Minha Vida 

    Oh, meu bem amado
       Quero  fazer de um juramento uma canção
       Eu prometo por toda a minha vida
       Ser somente tua e amar-te como nunca
       Ninguém jamais amou ninguém


       Oh, meu bem amado
       Estrela pura, aparecida
       Eu te amo e te proclamo
       O meu amor, o meu amor
       Maior que tudo quando existe
       Oh, meu amor


Autores: Antônio Carlos Jobim
                Vinícius de Moraes




     


       A Estrela maior e eterna, a querida Elis Regina!!



sábado, 12 de novembro de 2016

O Filósofo Burguês...







Lembro-me deste querido amigo com uma saudade dorida, mas sempre acompanhada de um sorriso. A nossa amizade sempre foi recheada pelo o humor; o meu amigo era um perito da ironia desconcertante e sedutora. Reclamava de mim, sempre dizendo que eu não levava a sério o seu mau humor e visão ácida (crítica) do cotidiano... 

Tínhamos filosofia e visão de mundo bem diferentes. No gosto musical, na literatura, cinema e artes em geral, éramos como irmãos gêmeos; estávamos na mesma sintonia. Ele não suportava o contato com a natureza, apesar de adorá-la como imagem de contemplação. Colocar os pés no chão, para ele, era despir a sua alma. Assim dizia: “nada melhor do que um ar condicionado; aquele botão para diminuir ou aumentar a temperatura; um bom livro na mão ocupando os olhos ao preenchimento da mente e à audição, o sublime noturno de Chopin...”

Não entendia a minha necessidade da natureza, a mãe terra. Por isso me apelidou de “menina das borboletas” e, por sua vez, o apelidei de o “filósofo burguês”.  Fora isso, era de uma humanidade luminosa e genuína (atitudes de solidariedade e altruísmo raros), mediante garantia de anonimato. Ele ria quando eu verbalizava que adorava “a sua gentileza rústica”.

Às vezes, quando nos encontrávamos para conversar no café; apreciar um cappuccino e trocar informações preciosas sobre literatura, música e artes em geral. Tudo saboreado pelo senso de humor... Ele afirmava:      
- Su, fico impressionado como tu és identificada com a minha geração. Só te localizo na geração a que pertences, nos teus projetos de “menina das borboletas”; pela sintonia com a natureza, meditação e autonomia feminina. Há uma diferença de gerações entre nós, que poderia constituir um abismo, entretanto, tu és a amiga mais próxima, a única que percorreu um caminho por dentro de mim (alma). A única que conhece o grafite do meu mau humor por todos detestado.  Só tu desabas de rir, não me levando a sério e me afastando do compromisso de ser intransigente. Mas não sou um intransigente qualquer, sou um intransigente irônico!
Antes de responder, observei que o meu amigo estava emocionado, como nunca tinha visto antes. Pressenti algo, uma sensação tão estranha, uma ausência (futura?) dele.
- Este “filósofo Burguês” está tão sensível hoje, que estou com saudade do seu lado grafite! Tem algo novo para me dizer?
- Sim. Minha namorada eu a amo, os meus filhos e os poucos amigos, também. Mas a ti, minha doce amiga, eu amo e adoro!...
- Essa despendida é por conta “deste adoro”, que só a mim pertence. Fico sem este abono e prometo suportar o teu humor grafite, sem nenhuma desmoralização, sem nenhuma crise de riso frouxo...

Fazia meses que não nos encontrávamos, sendo aquele o nosso último encontro regado da nossa amizade. Um dos melhores amigos que tive... Cada vez mais a minha listinha é curta, mínima. Amizade é uma joia rara de se encontrar; o mundo está repleto de joias falsificadas, de fácil acesso na vitrine das aparências.

Uma semana após o nosso encontro, recebi um aviso da sua namorada (ele era divorciado), que ele estava internado no hospital, aguardando uma cirurgia. Quando fui visitá-lo, constatei o cenário original: as enfermeiras sorrindo com o “texto hilário” do meu amigo, as palavras ironicamente pousadas no ambiente, transcendendo a monotonia habitual do hospital. 

No dia da sua cirurgia cardíaca, ele segurou a minha mão:
- Saindo desta sala pré-morte, irei participar dos teus projetos de “menina das borboletas”; respirar ar puro, meditar até o nada do silêncio, mas se não, irei para o nada do silêncio também... 

Eu só chorava num silêncio das palavras boiando numa dor latejante... Ele, com as mãos fazendo o movimento, como o das asas das borboletas...

Ele não resistiu à cirurgia. Até hoje, quando medito, encontro-o no silêncio do nada.

Hoje, seria dia do seu aniversário. Imagino que deves estar fazendo barulho no silêncio... Como sinto saudade do teu barulho sonoro (Beethoviano), meu amigo!...

Outubro - 2015


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Lídia Wylangowska.






                  



terça-feira, 8 de novembro de 2016

O Olhar do Espelho




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                        O espelho que
                         há em mim
                          silencia
                   todos os reflexos
                         aparentes


               Toca  a música
           da minha permanência
               na pele da alma


              Como uma harpa
                     cada nota
              numa ressonância
                     que atinge
                     a escala do som


                         O meu olhar
                      toca no espelho
                         o sentir pleno
                             da viagem
                            da passagem
                            que é a vida!



Suzete Brainer ( Direitos autorais registrados)
  
Imagem: Obra de Vicente Romero Redondo.

domingo, 30 de outubro de 2016

A Viagem da Pele...












Na viagem da minha pele
pequenas luminosidades
acendem a tua voz
na transcendência  das horas.

Da minha pele o sentir
extrapola  para a alma
a construir música
de sopros
percorrendo em nós
o infinito.

Tu dizes que o sol
dos meus cabelos
te abraça
a desenhar na tua pele
a trilha dos voos
que nos libertam.







Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem : Obra de Vladimir Vologov.





         

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Sopro Essencial de Alma





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Arrumou a mala e partiu na primeira luz da lua e não sentiu os pés no chão. As palavras, todas em fila, fizeram poeira na estrada sem caminho.

A sensação do desapego lhe colocou o sopro de liberdade, inalado, quando os seus cabelos voavam no vento, prateados, nascidos da lua.

Ela entendeu que a respiração é sagrada, vestida de paz.

Num elo simples com a lua, respirou esta paz bem devagar, tudo mudou de tamanho. Sentiu a vida brotando nas partículas do silêncio, apreciando a dança sem plateia. Com a certeza absoluta que o silêncio é a sua melhor música, arrumando todos os seus pontos de sensibilidades, liberados neste sopro essencial de alma.



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Richard S. Johnson.



sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Poesia com Asas...




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Água gelada, quase uma pedra de gelo. Ela mergulhou na piscina, os pensamentos foram congelando e, no seu silêncio profundo, a paz meditativa lhe abraçou. A natação, a meditação e o frio dissolvendo o dia cansativo. Ela quis ir embora naquelas horas de desintegração da realidade.

Ficou na sua melhor casa... Nua dentro de si.

Quando um casal de Bem-te-vi pousa na escada da piscina, bem perto dos seus olhos, o encanto lhe acionou o silêncio da contemplação, ficou imóvel, quase sem respirar para aquela mágica partilha. Percebeu, entre lágrimas, o quanto os pássaros são belos, sublimes e etéreos...

O silêncio foi transformado em música, o canto do casal de Bem-te-vis, promoveu a beleza daqueles minutos premiados pela magia rara deste contato.

Ela resolveu guardar este momento na sua melhor casa: a poesia; uma poesia com asas de sublimidade. Quando voaram, ela teve a certeza que também voo.



Suzete Brainer  (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Lídia Wylangowska.


Aviso: Um voo para pausa, depois outro voo
             de volta aqui, para partilha que tanto
             aprecio!...

             Beijo e Abraço de Paz!

            Suzete Brainer.


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Digo Não ao Chip Humano!





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Em breve poderemos, com esta tecnologia “avançada” e invasiva, nos ser implantado um chip com todos nossos dados e seremos previsíveis quanto à nossa localidade. Ninguém se perderá numa floresta e provavelmente não teremos mais nenhuma floresta, tudo será fabricado artificialmente e nos restará a opção de mudar a cor e sentir o aroma artificial dos cheiros da natureza, igualmente a comidas que têm o aviso minúsculo de “sabor morango” e o morango é uma fruta muito antiga que perdeu a sua essência natural para uma tinta rosa com gosto de tinta com açúcar;  açúcar que também não é mais  açúcar...

Quando houver aquela fila enorme formada para todos serem efetivamente “chipados”, com algum discurso politicamente correto, de algum político eticamente incorreto (políticos são seres de mil vidas e mil caras e nunca teve chip que desse conta da sua extinção...),  numa abordagem do conformismo da civilização ultramoderna, que elimina os caminhos e jamais se perder nas rotas, todas as rotas são verificadas pelo chip, que oferecerá duas direções: esquerda e direita, porém, também, não existe mais a esquerda, esta foi alterada pelos americanos (donos do projeto dos chips), compraram esta alteração da esquerda no mundo todo.

Neste dia eu estarei com uma placa escrita à mão, trazendo a arte antiga da escrita, com os dizeres: - Digo Não ao Chip Humano!



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Alex Alermany.
  

domingo, 9 de outubro de 2016

O Rio das Palavras...





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Ah, as palavras! Correm como rio, sem espera... No congestionamento dos sentidos, sempre tem um engasgado com seu uso impróprio. Elas, livrem de intencionalidades malévolas, correm em busca de algum retoque perfeccionista, da sensibilidade da arte de entendê-las, em sua origem genuinamente tocante.

Talvez se falassem, diriam sobre a sua missão de evocar emoção, que no caminho dos gestos, sempre ocorrem facilmente. Mas, em sendo palavras, algo fica distanciado do ato, e mesmo assim, desejam também o mesmo fascínio de emocionar.

Tantas vertentes em seus cursos, as palavras absorvem tonalidades em todas as moradas de sua significação. Seus signos, com simbologias tão ricas, as deixam nuas e desertas, na hora  solitária da inscrição sem ser. Ela só quer Ser, um poema, um texto ou uma carta de antigamente repleta de romantismo em seu próprio e único veiculo de linguagem.  As palavras levavam a fantasia descrita de um rosto sem corpo, sem fala e com todo o magnetismo da sua viagem de letras.

As palavras querem a liberdade de correr no seu rio de mistérios!...



Suzete Brainer  (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Elzbieta Brozek.









quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Renda de Amor







Delicada renda,
carinhos entrelaçados
com gestos de palavras vivas
a te abraçar no bordado dos meus
dedos de amor.

Nas minhas costas,
a tatuagem do teu beijo
na inscrição da paixão.
Numa renda de luzes:
o sonho acordado
do fogo das mãos.

Ren(di)da
    de amor,
clarificando
    a trilha
    dos sentidos,
há a leveza dos passos
    conhecidos,
na continuação
à dança da vida!




Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)








                  

terça-feira, 4 de outubro de 2016

O Poeta com o Sol na Cabeça...










Um minuto no relógio da vida,
a cada folha do dia
a cair lentamente,
enquanto o sol se dissolve
impreterivelmente.

Cada renovação é
uma viagem de átimos
colhidos de dias
sempre no hoje.

A vida é imperiosa
na sua roupa do presente,
guardar o peso do passado
             ou
ansiosamente projetar no futuro;
            mero engano mental.
A vida quer a casa interior nua,
para livremente caminhar...

Na casa da poesia,
mora o poeta com o sol
            na cabeça
a dissolver os grãos
           da ilusão.
O poeta transgride em
construir palavras de sol.


Nota: A palavra Poeta se refere a quem escreve poesia (feminino e masculino).


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Vladimir Kush.




quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Uma Partícula Sonhadora












O mundo parece mais deserto
sem a casa dos sonhos.
O mundo parece mais povoado
de misérias sem nomes.
O mundo parece mais escuro
a cada esquina que alguém
mora na rua.

O mundo parece mais cruel
com  bombas explodindo pessoas
marcadas para morrer
em nome do fanatismo
pivô desta dicotomia humana
sem irmandade,
sem igualdade,
sem fraternidade,
sem o azul de uma unidade qualquer.
Imagino
(poeta tem imaginação sonhadora...)
uma palavra azul de uma
possível infinitude da partícula
(deus) do amor!



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Van Gogh.




sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Palavras que Renascem...






Ela percorreu uma volta dentro de si, os pensamentos como roda gigante, flutuante na ânsia de transcendência.

E tudo numa permanência de tons cinza, a quebrar o azul do sossego.

Ampliou a respiração como se fora um abraço por dentro de si...

Deixou um espaço a desenhar um voo, pequeno voo do sono, na pesca de sonhos que diminuam o peso concreto da realidade operante, sem folga. A fé no riso lhe diz que a tristeza sempre pode mudar de endereço.

Abriu a janela com a luz de uma lembrança a trazer o seu sorriso, num brilho tão libertador, que as palavras renasceram junto com ela.



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)




Aviso: Uma Breve pausa e logo eu volto

para o voo da partilha que tanto aprecio!...

Beijo e Abraço de Paz!





terça-feira, 20 de setembro de 2016

Ana Luz!





Acorda!... Ergue-te!... E vive!... / Wake up!... Get up!... And live!...




Um gesto suave,

gentileza bordando

a presença

       Luz

que fica no nome:

      Ana!


Palavras que desenham

     Amizade

Sem hora marcada

Sem protocolo

Sem acordos na sombra.

Uma

     Luz

No nome:

    Ana!


Dedicado à Ana Freire


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Foto Arte da Ana Freire.


 Querida Ana,

Meu carinho de amizade e o

meu registro da sua Luz-Ser!...

Beijinhos.


Aqui o Blog Da Ana (qualidade padrão Ana, um dos
melhores blogs que eu conheço, um voo inesquecível 
do bom gosto e beleza da arte!...)
http://artandkits.blogspot.com.br/2016/04/waking-up.html





sábado, 17 de setembro de 2016

As Pazes com a Natureza...





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A memória abriu a porta e me levou a um período em que morei numa casa duplex num privê de dez casas, com uma bela área verde de lazer, onde eu gostava de preservar aquele verde com árvores antigas e, na minha casa, muitas plantas. Na varanda do primeiro andar eu tinha vários depósitos para os beija-flores e outros passarinhos (a beber aquela água doce, trocada com o maior carinho e limpeza), de todas as cores e tamanhos a colorir em vida a minha varanda. Eu tinha o meu gato Shan (filhote ainda) que ficava a olhar todos através do vidro da janela do meu quarto. Era o seu vídeo game e, para mim,  um encontro com cada um que tinha nome e sobrenome, dado pelo meu olhar atento e alegre, de me sentir privilegiada com tanta beleza voando para minha casa, como se casa deles fosse.

Existia no privê um grupo de seis meninos; o mais velho, de oito anos,  liderava os menores, na faixa de 7 anos. Estavam naquela fase de agressividade com a natureza, os animais e numa autoafirmação do contra. Eles não gostavam da minha veneração amorosa à natureza.

Um dia fizeram uma "serenata" com música e letra de protesto contra a natureza bem abaixo da minha varanda, com coreografia e tudo, cada um com baleadeira na mão e o líder com o violão, cantavam e todos apontavam as suas armas de matar passarinho para minha varanda:                            
                                             "Vamos acabar com a natureza;
                                             Vamos matar os passarinhos,
                                             Vamos destruir os seus ninhos
                                             E sem mãe natureza.
                                            Fora os passarinhos
                                            Fora os passarinhos
                                            Fora os passarinhos
                                            E sem ninhos...!”

Eu a escutar e morrer de rir, com aquela criatividade rebelde deles. Como eles não sabiam a minha reação, por conta do meu silêncio, falarem de fora: “Ela não fez nada. Não disse nada. Será que ela não está em casa?” Quando resolvi abri a porta,  escutei de longe a gritaria deles: ”Ela abriu a porta e vem em nossa direção!”.

Aproximei-me deles e disse: - Meninos, sentem aqui e vamos conversar!- Eles se aproximaram devagar, e cada um falava uma frase ao mesmo tempo, numa confusão a dissolver o silêncio no breve espaço pacifico... O líder me disse: “Você veio brigar com a gente por nossa música e vai reclamar aos nossos pais pelo nosso comportamento?” E eu com a minha voz calma a lhe dizer que gostaria de dialogar com eles. E, eles a olharem entre si, sentaram perto de mim. Conversamos por varias horas, e falei da criatividade deles com a música, letra e coreografia. Depois a importância de amar a natureza e conviver bem com ela, pois ela nos ensina se tivemos a capacidade de olhar para cada detalhe belo e generoso que ela nos oferece todos os dias...

No final estávamos a observar os passarinhos, da minha varanda, e quando o líder me disse: “ Su, como faço outra música para a natureza, como faço as pazes com ela?” E eu lhe respondi: - Você já fez as pazes com a natureza, a música vai chegar e será muito bela!...-



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Arsen Kurbanov





segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Nossos Olhos, Nossa Casa...





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Estou em ti,
a maestrina da onda que leva
alegria a tatuar o teu sorriso do dia.

Estou em ti,
colada na tua pele em forma de desejo ardente.
Os teus pensamentos percorrem os meus
para o mesmo espaço de existência.

Estou em ti
Sem ausências
Sem distâncias
Sem dúvidas.
Uma completude sem anulação.

A luz dos meus olhos
    atravessa
lugares
    e fica
em todas as horas
no chamamento
   a te evocar.

Nossos olhos,
janelas abertas
da nossa casa.
Neles,
o inicio do fogo que incendeia nossas passagens.



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Elzbieta Brozek.




               


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

As Uvas do Mar...










Mais um sábado de sol, todos na praia e eu, a única adulta a adorar o banho de mar, para alegria da menina loirinha, com passos de bailarina, a pedir:"Tia, leva eu por o mar!..." Vamos Bru, nós adoramos o mar!!... Ela me dava aquelas mãozinhas para segurar nas minhas e eu acelerava os passos e, depois, a colocava nos braços, correndo, com  as gargalhadas dela fazendo música para todos na praia...

Ficávamos no mar conversando e sorrindo com a poesia que ele construía com suas ondas... Ela, tremendo e pedindo: ”conta mais histórias, Tia” (eu argumentava que ela precisava sair um pouco da água), e ela: “conta mais história, mais...”  Depois de sair do mar, ficávamos ao sol, a aquecer o nosso frio destilado de saudade das ondas amigas, que pertenciam ao mar na sua estrutura de música da vida: ondas alegres que alimentavam a nossa felicidade do dia! A magia do mar que em mim morava, visitava o universo imaginário da minha sobrinha, com as sementes do amor à natureza!...

Um dia ela viu o que chamou de alimentos do mar; algo que parecia um cacho de uvas. Ela disse que eram as uvinhas do mar; comidinha para os peixes, e me pediu: “Tia, joga para longe, no fundo do mar, para os peixinhos comerem e ninguém machucar as uvinhas; não deixar os peixinhos sem sobremesa”. Assim eu fiz, lancei bem longe para que os peixinhos comessem a sua sobremesa.  E eu disse que era Bru que estava enviando a sobremesa, enquanto lançava ao mar, e ela sorria de satisfação!...

Hoje, quando vou ao mar e vejo as uvinhas, lanço ao fundo do mar e penso: Os peixinhos não comeram ainda a sobremesa enviada por Bru... Ela, hoje, talvez nem se lembre de que um dia presenteou os peixinhos com seu carinho, o seu olhar atento à natureza, e a Tia (eu) acompanhado e estimulando este amor sublime que estrutura a sensibilidade humana por dentro, no encanto da bondade genuína.

Atualmente é uma mulher com corpo e postura de bailarina de caixinha de música, suavidade, gentileza, doçura, e ao mesmo tempo independente e dona da sua história (vida).

Separadas entre continentes, continuamos com a nossa ponte de afeto, que nos liga a grandes infinitos de comunhão humana e transcendental.  O amor sempre transcende a distâncias,  tempo e espaços.



Bru,

Beijinhos para ti, desta Tia que te ama sempre!



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Chelin Sanjuan.





                         





quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Poesia e Música que Eu Adoro!...





           O que Tinha de Ser


Porque foste na vida a última esperança
Encontrar-te me fez criança
Porque já eras meu sem eu saber
      sequer
Porque és o meu homem e eu tua mulher

Porque tu me chegastes sem me dizer
      que vinhas
E tuas mãos foram minhas, com calma
Porque foste em minh'alma como um
      amanhecer
Porque foste o que tinha de ser

Autores: Antonio Carlos Jobim
                Vinícius de Moraes 




        


   E a estrela maior e sempre da música brasileira,
   adorada, Elis Regina!!  



terça-feira, 6 de setembro de 2016

Recado de Aniversário...





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Ontem, mais um dia, um ano e a tua ausência tão disfarçada de presença... Aquele teu olhar a acolher a todos com a suavidade de um abraço protetor. Sim, mãe, tu abraçavas com o olhar; um olhar de unidade de alma, e como eu viajava na segurança do teu olhar que dizia sempre: - “Estou com você em todos os lugares e situações, a vida não é fácil e nem difícil, a vida é um desafio que precisa do amor para decifrar os caminhos com mais facilidade...”

Quero este teu olhar dentro do meu, a caminhar pela vida nas suas curvas e abismos.

Tenho este teu amor guardado em mim, e tudo levita quando penso na tua filosofia simples de vida, que colhia os mistérios no jardim do silêncio do olhar. O teu silêncio ensinava a dignidade de respeitar as singularidades humanas, numa igualdade fraterna de sentir o mundo!...

À minha mãe, Hilda.
Viva Hilda Brainer!


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Alexei Antonov.



sábado, 3 de setembro de 2016

Chuva de Setembro





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Hoje, nada de flores no caminho. Pisou a grama com gotículas de chuva, que vinham de dentro da sua alma. Deixou os cabelos ao vento de setembro, que ainda era de agosto; um vento no som tão alto, que abraçava a sua cintura, num nó de silêncio.

Descobriu que às vezes o ar é tão pesado que suspende o sorriso!

Mas, sabia também que, da brincadeira do dia nascer, renascem os motivos para que os olhos não guardem o sol escondido. A luz brotará com a certeza de tecer os sonhos mais delicados sem realidade.

E deixou todo o corpo molhado com a chuva de setembro e ventos de agosto, e sobre a sua pele de raios de sol renasceram pétalas de rosas, que sempre resistem a asperezas do meio ambiente.



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Richard S. Johnson