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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Ela Atemporal





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Ela olhava as setas de armadilhas expostas em coluna vertebral da esquina dos enganos. Decidiu silenciar os ecos de qualquer utopia de um mundo fraterno.

Sabia o quanto o seu coração vagamundo pousava no "coração vagabundo" bossa-nova, na voz do João Gilberto, cujo sonho de uma época que não foi sua, mas escolheria pousar naquele espaço-tempo em que a música soprava o amor numa delicadeza de eternidades; a entrega era uma suavidade  de certezas...

Ela no romantismo poético se perde na poeira deste mundo feito de estalos de dedos do imediatismo e, no ato de esconder os olhos na ignorância de não saber das janelas da alma, em que o brilho dos olhos diz mais do que as palavras, na interligação dos pensamentos, na viagem íntima do percurso libertário sem fios, sem bateria e sem erros.

Ela, com este coração frágil atemporal, voa para um tempo azul seu, e ao mesmo tempo, os passos seguem a caminhada na chamada das responsabilidades, no carimbo dos dias. 


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: obra de Richard S. Johnson.



quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Delicado Voo




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Ela deixou as palavras ocuparem os seus lugares e, num ponto de observação, vestiu as suas mãos de significados invisíveis aos olhos nus.

Num aceno de adeus deixou sentires únicos vibrar com as asas emprestadas da sua vizinha de árvore vista da janela - uma Bem-te-vi-,  que generosamente doou a possibilidade do voo num espaço etéreo dos sonhos guardados; escritos no guardanapo rosa da poesia sem nome e sem estrada.


Ela foi neste céu sem nuvem. Nenhuma palavra morta circulava e gestos de pássaros inscritos de silêncios, deixaram as suas belas lembranças passearem por dentro, acordando delicadamente o imprescindível sentir. 


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Richard S. Johnson.




segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Sopro Essencial de Alma





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Arrumou a mala e partiu na primeira luz da lua e não sentiu os pés no chão. As palavras, todas em fila, fizeram poeira na estrada sem caminho.

A sensação do desapego lhe colocou o sopro de liberdade, inalado, quando os seus cabelos voavam no vento, prateados, nascidos da lua.

Ela entendeu que a respiração é sagrada, vestida de paz.

Num elo simples com a lua, respirou esta paz bem devagar, tudo mudou de tamanho. Sentiu a vida brotando nas partículas do silêncio, apreciando a dança sem plateia. Com a certeza absoluta que o silêncio é a sua melhor música, arrumando todos os seus pontos de sensibilidades, liberados neste sopro essencial de alma.



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Richard S. Johnson.



sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Poesia com Asas...




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Água gelada, quase uma pedra de gelo. Ela mergulhou na piscina, os pensamentos foram congelando e, no seu silêncio profundo, a paz meditativa lhe abraçou. A natação, a meditação e o frio dissolvendo o dia cansativo. Ela quis ir embora naquelas horas de desintegração da realidade.

Ficou na sua melhor casa... Nua dentro de si.

Quando um casal de Bem-te-vi pousa na escada da piscina, bem perto dos seus olhos, o encanto lhe acionou o silêncio da contemplação, ficou imóvel, quase sem respirar para aquela mágica partilha. Percebeu, entre lágrimas, o quanto os pássaros são belos, sublimes e etéreos...

O silêncio foi transformado em música, o canto do casal de Bem-te-vis, promoveu a beleza daqueles minutos premiados pela magia rara deste contato.

Ela resolveu guardar este momento na sua melhor casa: a poesia; uma poesia com asas de sublimidade. Quando voaram, ela teve a certeza que também voo.



Suzete Brainer  (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Lídia Wylangowska.


Aviso: Um voo para pausa, depois outro voo
             de volta aqui, para partilha que tanto
             aprecio!...

             Beijo e Abraço de Paz!

            Suzete Brainer.


domingo, 9 de outubro de 2016

O Rio das Palavras...





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Ah, as palavras! Correm como rio, sem espera... No congestionamento dos sentidos, sempre tem um engasgado com seu uso impróprio. Elas, livrem de intencionalidades malévolas, correm em busca de algum retoque perfeccionista, da sensibilidade da arte de entendê-las, em sua origem genuinamente tocante.

Talvez se falassem, diriam sobre a sua missão de evocar emoção, que no caminho dos gestos, sempre ocorrem facilmente. Mas, em sendo palavras, algo fica distanciado do ato, e mesmo assim, desejam também o mesmo fascínio de emocionar.

Tantas vertentes em seus cursos, as palavras absorvem tonalidades em todas as moradas de sua significação. Seus signos, com simbologias tão ricas, as deixam nuas e desertas, na hora  solitária da inscrição sem ser. Ela só quer Ser, um poema, um texto ou uma carta de antigamente repleta de romantismo em seu próprio e único veiculo de linguagem.  As palavras levavam a fantasia descrita de um rosto sem corpo, sem fala e com todo o magnetismo da sua viagem de letras.

As palavras querem a liberdade de correr no seu rio de mistérios!...



Suzete Brainer  (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Elzbieta Brozek.









sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Palavras que Renascem...






Ela percorreu uma volta dentro de si, os pensamentos como roda gigante, flutuante na ânsia de transcendência.

E tudo numa permanência de tons cinza, a quebrar o azul do sossego.

Ampliou a respiração como se fora um abraço por dentro de si...

Deixou um espaço a desenhar um voo, pequeno voo do sono, na pesca de sonhos que diminuam o peso concreto da realidade operante, sem folga. A fé no riso lhe diz que a tristeza sempre pode mudar de endereço.

Abriu a janela com a luz de uma lembrança a trazer o seu sorriso, num brilho tão libertador, que as palavras renasceram junto com ela.



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)




Aviso: Uma Breve pausa e logo eu volto

para o voo da partilha que tanto aprecio!...

Beijo e Abraço de Paz!





terça-feira, 6 de setembro de 2016

Recado de Aniversário...





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Ontem, mais um dia, um ano e a tua ausência tão disfarçada de presença... Aquele teu olhar a acolher a todos com a suavidade de um abraço protetor. Sim, mãe, tu abraçavas com o olhar; um olhar de unidade de alma, e como eu viajava na segurança do teu olhar que dizia sempre: - “Estou com você em todos os lugares e situações, a vida não é fácil e nem difícil, a vida é um desafio que precisa do amor para decifrar os caminhos com mais facilidade...”

Quero este teu olhar dentro do meu, a caminhar pela vida nas suas curvas e abismos.

Tenho este teu amor guardado em mim, e tudo levita quando penso na tua filosofia simples de vida, que colhia os mistérios no jardim do silêncio do olhar. O teu silêncio ensinava a dignidade de respeitar as singularidades humanas, numa igualdade fraterna de sentir o mundo!...

À minha mãe, Hilda.
Viva Hilda Brainer!


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Alexei Antonov.



sábado, 3 de setembro de 2016

Chuva de Setembro





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Hoje, nada de flores no caminho. Pisou a grama com gotículas de chuva, que vinham de dentro da sua alma. Deixou os cabelos ao vento de setembro, que ainda era de agosto; um vento no som tão alto, que abraçava a sua cintura, num nó de silêncio.

Descobriu que às vezes o ar é tão pesado que suspende o sorriso!

Mas, sabia também que, da brincadeira do dia nascer, renascem os motivos para que os olhos não guardem o sol escondido. A luz brotará com a certeza de tecer os sonhos mais delicados sem realidade.

E deixou todo o corpo molhado com a chuva de setembro e ventos de agosto, e sobre a sua pele de raios de sol renasceram pétalas de rosas, que sempre resistem a asperezas do meio ambiente.



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Richard S. Johnson



quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Raízes do Silêncio









Ela com as mãos carregava as pedras do caminho, enquanto a mente se esvaziava de algum lixo implantado. A sua respiração completa sem corda bamba equilibrava os dias no meio fio das ruas distantes da sua casa.

Procurava olhar o céu junto com a terra à espera do mar, que sempre transforma os elétrons da vertigem dos enganos.

Ela deixava as nuanças das cores da vida no seu coração de criança, que sempre dava corda no seu relógio de pulsações.

Cada instante é uma nova vida com uma palavra nascida no poema vazio.

Ela possuía nas mãos o vazio que cresceu do poema, e plantou uma roseira das raízes do seu silêncio.





Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Daniel Gerhartz.


terça-feira, 2 de agosto de 2016

O Canto da Vida...












Ela caminhou, caminhou pelo seu espaço aberto de certezas, tão suas, que tocava uma a uma, no reconhecimento da sua história. A sua memória de caixa azul, na qual todas as borboletas do seu céu da boca voavam nas manhãs ao redor do sol.

O silêncio que lhe acompanhava, tocava para as borboletas se sentirem livres dos ruídos urbanos; esperava a paz vesti-la numa suave valsa de sentidos que sempre lhe pertenceram.

Ela sabia que cada dia é como folha a ser vestida no calor da emoção, mas o raciocínio claro como uma faca a fez cortar o pessimismo intruso e deixar as mãos dançarinas nos gestos do amor.

Foi quando ela desnudou todo o seu pensamento e constatou a vida dentro dela, que canta a alegria, numa dose equilibrada de sossego!



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Daniel Gerhartz



Quero neste momento agradecer a todos meus 
amigos de partilha literária que gentilmente
dedicaram um tempo para ler, sentir e
comentar aqui.
Por hora, o meu blog ficará no modo somente
para leitura e quem sabe em outro momento 
eu voltarei para partilha do voo dos
comentários aqui e nos espaços de todos.
Grata a todos!
Beijo e Abraço de Paz...

Suzete Brainer.



domingo, 26 de junho de 2016

O Vento Música












Ela passeava pelos campos de margarida. Longe, o sol se despedindo com o brilho de quem ama, assentou nos seus cabelos, cristalizando o dourado em subtons de paixão e desejo de entrega.
  
Ela rodopiou nua por dentro, esta nudez  libertadora, com a pureza de pensamentos; surgindo, nascendo e crescendo na onda de amor que não se cala. Até o silêncio é música sem escala, que se fez vento à noite, no qual todas as janelas se abrem para sua imensidão.

Ela aprecia o vento lhe envolvendo e, sem voz e sem pensamento, deixa ele ser seu dono...



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Lauri Blank










terça-feira, 26 de abril de 2016

O Céu Continuará Estrelado?









Ela não sabia se o céu ficará estrelado junto com o brilho dos seus olhos alados aos sonhos. Tudo é irreal diante da cortina de fora, só dentro existe a nudez da verdade pura. Melhor fechar os olhos na companhia dos sonhos queridos, que passeiam pelo seu corpo.

Ficou acordada por dentro de suas ondas oníricas, navegando nos desejos de liberdade de horas nuas, inocentemente acesas, atingindo a sua alma numa doçura de brincadeira de criança travessa, escondendo o doce predileto.

Ela sabia que as páginas do livro, às vezes fecham num susto de um dia escuro, as pistas se escondem num amanhã sem certezas...

Continuou a buscar as estrelas no seu céu por dentro, antes que todas as nuvens rastreiem os seus sonhos feitos de cristal.

Afinal, na vida tudo é muito frágil e construir leva um tempo já gasto de realidade.




Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Lauri Blank.






segunda-feira, 11 de abril de 2016

O Poço Sem Espelho...











Ela fazia das raízes um colar de dias preciosos, junto com a certeza de sua mortalidade. O olhar sempre aberto, numa igualdade sem nome. As cores são para todos e cada um tem o seu tom e sua voz de música ou de silêncio.

O mar sempre foi o seu poço de mergulho sem fim; as águas mornas de um carinho tão abrangente e indescritível, que tudo fica menor diante do seu encantamento de águas marinhas, que lhe coloca palavras, até no silêncio...

Mas, existe um poço chamado saudade, que às vezes se joga e não encontra a resposta do espelho.

O tempo, este que deixa vagar como as nuvens de algodão doce, e a voz de sua mãe a lhe dizer o manual de colorir as roupas, antes que não resistam ao preto e branco de melancolia, alheia, sem nome.

Ela se lembra dos seus gatos; um amor tão sublime e lúdico, como brincar nas ondas do mar, numa ciranda de emoções que lhe trazem respostas.


O lúdico da vida não tem que se enferrujar com a contagem do tempo; deve ficar sempre nos olhos do encantamento, num passo do prazer genuíno de Ser!...



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Daniel Gerhartz.



sábado, 19 de março de 2016

Dança de Poeira e Poesia...












Ela não entendia muito bem o universo das folhas, algumas caiam longe e outras perto e em fileira, como se cada sinal fosse uma frase enigmaticamente vestida de poeira e poesia.

Quando o vento regia a música, elas dançavam a se espalhar e num espaço de tempo, cada uma ocupava uma nota na escala musical da vida...

Deveria ser fácil Ser folha - pensava - enquanto a dança das folhas continuava, às vezes acelerada e subindo os corredores verdes. Noutras vezes, lentamente e arrastando a poeira do chão. As folhas são felizes por serem folhas. As pessoas complicam, querendo Ser outras.

Dentro de nós existem várias folhas de Eus novinhos a serem descobertos e libertados para a dança da vida...


Ela novamente pensou, talvez não seja fácil Ser genuinamente vivo. Viver exige uma arte de introspecção e interação a cada movimento, nesta dança de poeira e poesia.





Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Daniel Gerhartz.




segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A Roseira do Silêncio...















Ela colhia as rosas do caminho. Na sua mão o aroma se cristalizava em pétalas de poesia, guardando, assim, a vida na brevidade sublime dos sentimentos. Nem um arranhão (o mais profundo que fosse) direcionava o fluxo dos seus pensamentos. O silêncio vestia a sua respiração a cada passo no abismo.

Ela plantava palavras sem espinhos, mas o mundo não apreciava tanta gentileza sem objetivos obscuros. A claridade sempre fica sobre a suspeita do comum.

Ela, acostumada com a solitária dança de vida interior, nunca ficou muito tempo fora de si!...

A roseira, no bordado do silêncio, a espera do vento, com o seu sopro transgressor a acariciar todas as suas rosas e, no pensamento, revelar o seu amor...

A roseira plena de silêncio vulcânico (en)cantou o vento, ele que nunca tinha amado tanto, pois desconhecia que as roseiras existissem.


Mas, ela, numa solidão de Rosa, entendeu logo que tudo é passageiro, até o vento. Deixou dentro dela a luz que nunca apaga, no seu transporte de transcendência...



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Google 





segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Ela Flutua na Leveza










    
Ela estava serena e delicadamente plena, se entardecendo nos seus sentires amanhecidos de saudade. Uma saudade com cheiro de hortelã mergulhado no chocolate amargo e quente...

Ela sabia da brevidade da vida, tudo deveria ser degustado em gotas de espanto e prazer. No espanto mora o inesperado e o prazer é um suspiro de beleza e verdade poética...

Ela não gostava de fazer planos de consumo, isso é empobrecer o encanto sutil do viver; o sonhar é tão perto (dentro do sentir) e buscar fora para carregar a mala de supérfluos, não lhe seduzia. Sempre precisou da leveza do desapego!....

Sempre quis o genuíno livremente. Ser inteiro de corpo e passeio na alma, impregnada de sorrisos aventureiros sem correntes que se apropriem da verdade do sentir...

Sempre acreditou na lealdade das mãos dadas na caminhada a dois. Na amizade dos olhos que se conhecem e dizem tudo. No silêncio partilhado na paz que abraça e na parceria do preto e branco das rotinas que não esmagam a sublimidade do prazer (solar) de se estar juntos.

Ela flutuava na leveza enquanto as palavras desfolhavam a sua singularidade na brisa do agora!...



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Daniel Gerhartz.


sábado, 2 de janeiro de 2016

Acolhedora dos meus Silêncios...












Ela, magrinha, com os cabelos lisinhos corte a La  Channel, com a neve pousada nos seus cabelos. Tinha as mãos, para mim um sinônimo de carinho, o maior cafuné do mundo...

A minha avó: Uma contadora de histórias; sábia nos conselhos sem intromissão; humor em cada frase e respiração. Grande mestra de um silêncio repleto de cumplicidade, carinho e cura...

Ficava eu com a minha cabeça deitada no seu colinho magro, esperando a sessão de cafuné... Ela, eu e o silêncio...

A minha acolhedora dos meus silêncios, partilhava os meus voos nas ondas do meu Mar de pensamentos; viajávamos no bordado do sentir sem palavras (poesia na essência da raiz da entrega), almas seladas pelo o amor transcendental. Este que revoluciona o Ser por dentro com a marca da bondade.

Nossa cumplicidade daquele dia de sol nascendo...  O banho de mar tão sonhado que lhe prometia à revelia dos cuidados em excesso de Mainha. No nosso silêncio guardava aquela aventura, vinte minutos de folia no mar sereno que nos abraçava. Depois duas toalhas grandes que lhe empacotei com todos os risos nossos... Em casa mais cuidados: banho morno, secador nos seus cabelos nuvens e o mais difícil de dissolver: aquele sorriso de satisfação no seu rosto e nos seus olhos cheios de mar... Mainha pescava as nossas expressões faciais e percebia algo transgressor das suas rígidas recomendações. Nos duas num silêncio profundo de mar...

No dia da sua morte foi o silêncio mais insuportável que eu vivi...

Depois fui fazendo as pazes com ele. Entendendo e apreciando cada vez mais a preciosidade do sentir sem palavras!...


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)
Imagem: Alex Alemany

Para minha avó: Uma tentativa de expressar toda a sua beleza amorosa eternizada em mim... Sei que o silêncio é o caminho que nos liga, nos proporcionando a certeza deste elo eterno!... 



Partilha: Somente para quem quiser ler o poema que fiz para ela em 2013:
http://opianoquetocapoesia-poemas.blogspot.com.br/2013/01/o-dourado-estelar-que-permanece-em-mim.html 

          

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A Direção das Rosas Vermelhas








Ela abria portas...

Cada vez mais sentia necessidade de um espaço livre: a liberdade sempre foi o seu sopro de direção. Nunca quis correntes amarradas no seu barco de sonhos. Nela não havia nenhuma disposição de seguir padrões impostos.

Sempre gostou do voo livre e verdadeiro, mas sem nenhum risco de suicídio, evitava a queda livre e preservava o equilíbrio das emoções.

Numa manhã de sábado, ao se dirigir ao seu jardim, não encontrara mais os jasmins predominando o espaço com a suavidade etérea. As rosas vermelhas, todas enigmaticamente abertas, de uma beleza avassaladora e magnética, guiaram-na a uma nova porta.

Ela não quis abrir...

A porta estava aberta. Ela sentiu os reflexos do sol que vinham do novo espaço. A luz solar abraçou seus cabelos loiros com um calor que a atraia e a assustava.

Imediatamente colocou as suas asas para o voo conhecido, no maravilhoso percurso existente. Por um instante sentiu aquele calor...

Ela não abriu a porta.

A porta continuava aberta?!...



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)