
Ela olhava as setas de armadilhas expostas em coluna
vertebral da esquina dos enganos. Decidiu silenciar os ecos de qualquer utopia de
um mundo fraterno.
Sabia o quanto o seu coração vagamundo pousava no "coração
vagabundo" bossa-nova, na voz do João Gilberto, cujo sonho de uma época que não foi sua, mas escolheria pousar naquele espaço-tempo em que a música
soprava o amor numa delicadeza de eternidades; a entrega era uma suavidade de certezas...
Ela no romantismo poético se perde na poeira deste mundo
feito de estalos de dedos do imediatismo e, no ato de esconder os olhos na ignorância
de não saber das janelas da alma, em que o brilho dos olhos diz mais do que as palavras, na interligação dos pensamentos, na viagem íntima do percurso libertário sem
fios, sem bateria e sem erros.
Ela, com este coração frágil atemporal, voa para um tempo azul
seu, e ao mesmo tempo, os passos seguem a caminhada na chamada das
responsabilidades, no carimbo dos dias.
Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)
Imagem: obra de Richard S. Johnson.






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