terça-feira, 9 de agosto de 2016

Grandes Poemas Que Eu Adoro!





          Êxtase

    
       Deixa-te estar embalado no mar noturno
         onde se apaga e acende a salvação.


         Deixa-te estar na exalação do sonho sem forma:
         em redor do horizonte, vigiam meus braços
                                                                        [abertos,
         e por cima do céu estão pregados meus olhos,
                                                                  [guardando-te.


        Deixa-te balançar  entre a vida e a morte, sem
                                                    [nenhuma saudade.
        Deslizam os planetas, na abundância do tempo
                                                                          [que cai.
        Nós somos um tênue pólen dos mundos...


        Deixa-te estar neste embalo de água gerando
                                                                    [círculos.


        Nem é preciso dormir, para a imaginação
                [desmanchar-se em figuras ambíguas.


        Nem é preciso fazer nada, para se estar na alma
                                                                           [de tudo.

  
       Nem é preciso querer mais, que vem de nós um
                                                                    [beijo eterno
       e afoga a boca da vontade e os seus pedidos...



     Autora: Cecília Meireles.


    Livro: Viagem - Editora Global.


    Cecília Meireles: Nasceu em 7 de novembro de 1901 no
                                  Rio de Janeiro e faleceu a 9 de novembro
                                  de 1964 no Rio de Janeiro.
                                  Tem um trecho de poema dela que a defini
                                  muito bem: "Não sou alegre
                                                         Nem sou triste
                                                         Sou poeta" 
                                  A maior Poeta brasileira, uma mestra
                                  na excelência das palavras, na inspiração
                                  e na belíssima e original imagética inscritas
                                  no seu caminho próprio, o caminho                                                    luminoso da estrela Cecília Meireles!



                             

                         


               
                   

terça-feira, 2 de agosto de 2016

O Canto da Vida...












Ela caminhou, caminhou pelo seu espaço aberto de certezas, tão suas, que tocava uma a uma, no reconhecimento da sua história. A sua memória de caixa azul, na qual todas as borboletas do seu céu da boca voavam nas manhãs ao redor do sol.

O silêncio que lhe acompanhava, tocava para as borboletas se sentirem livres dos ruídos urbanos; esperava a paz vesti-la numa suave valsa de sentidos que sempre lhe pertenceram.

Ela sabia que cada dia é como folha a ser vestida no calor da emoção, mas o raciocínio claro como uma faca a fez cortar o pessimismo intruso e deixar as mãos dançarinas nos gestos do amor.

Foi quando ela desnudou todo o seu pensamento e constatou a vida dentro dela, que canta a alegria, numa dose equilibrada de sossego!



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Daniel Gerhartz



Quero neste momento agradecer a todos meus 
amigos de partilha literária que gentilmente
dedicaram um tempo para ler, sentir e
comentar aqui.
Por hora, o meu blog ficará no modo somente
para leitura e quem sabe em outro momento 
eu voltarei para partilha do voo dos
comentários aqui e nos espaços de todos.
Grata a todos!
Beijo e Abraço de Paz...

Suzete Brainer.



domingo, 31 de julho de 2016

Ventos de Agosto












Ventos de agosto,

este som com a canção

do dia que permanece noite, 

preenchendo 

os labirintos da minha alma.


Sinto-te como uma flauta doce,

percorrendo memórias,

acordando fantasmas silenciosos

para uma dança regida

pelo vento libertador,

        registrado pela lua

       refletida de mar...


Ventos de agosto,

que me suspende

de ar renovado

      de sonhos.



Poema de Agosto de 2014. 



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados).

Imagem: Obra de Lídia Wylangowska.










quarta-feira, 20 de julho de 2016

Passos de Elefante




Deixa-me caminhar

A passos largos pela mata,

Com a força da minha sobrevivência,

Antes que a violência do homem me alcance.


Deixa-me caminhar.

Eu conheço esta terra,

Mas nada sei do homem que a invade.


Deixa-me caminhar

Com passos largos de elefante,

Memorizar a trilha dos meus dias

De legitima liberdade.





Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)



Partilha: A caça criminosa dos elefantes  continua,
                a maldade do homem e sua cobiça as suas
                presas de marfim...



sábado, 16 de julho de 2016

Todo Poeta Vive do Silêncio











Os meus olhos fechados em música
Guardam todas as pausas,
Na espera do silêncio.

Todo poeta vive do silêncio
E dele pesca as palavras!...

Todo o movimento do mar
Passeia por dentro de mim,
No eterno arrumar e desarrumar
Os meus percursos fora.

Do silêncio sempre renascem
As minhas raízes. 
Colho palavras com sede
De liberdade,
Que delicadamente
Ressuscita o sopro da vida.




Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Lauri Blank.








Aviso: Uma breve pausa e volto logo
           para voo da partilha que tanto
           aprecio!
           Beijo e Abraço de Paz...

terça-feira, 12 de julho de 2016

Grandes Poemas Que Eu Adoro!







As Andorinhas


 As andorinhas, ah, as andorinhas:
 Nunca mais
                  que pude vê-las,
                                 aos golpes de asa,
 recolhendo as tardes
                  e armando as noites
- distendendo os fios
                  que unem o escuro
                                entre pontos
 tão claros
                  do infinito.



Autor: Audálio Alves.




Livro: O Dia Amanhece Em Minhas Mãos
               - cantos em suspensão -

Audálio Alves: Jornalista, Advogado e Poeta,
                         nasceu a 2 de Junho 1930 no
                         município de Pesqueira,
                         interior de Pernambuco.
                         Faleceu no Recife a 08/04/1999.


                    



  
                                      
                       





quinta-feira, 7 de julho de 2016

A Senda



As palavras tem a leveza
Das asas do meu pensamento
Num voo de liberdade!

Plano pelo mar
Na rota do sol do meio dia.
Todas as minhas ideias são
Aquecidas de luz própria...

No espaço entre as ideias,
Nada se repete dentro de mim,
O meu eco é um grande
Vazio de paz.

E vou sobrando na minha paz
Sem bandeiras.
A minha diminuta importância
Clarifica o meu caminho:
A senda que acende
O que Eu Sou.





Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)




sábado, 2 de julho de 2016

Introspecção












Colho rosas na entrada
Dos meus olhos à noite.
A minha alma sem sombra
Adormece nas palavras de paz.

Pela manhã recolho o meu silêncio  
Dos sonhos guardados,
Feitos dos bordados dos meus desejos.

E com um pulo, com os pés no chão,
A minha consciência na mão
Rege as horas do dia.




Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Richard S. Johnson.











domingo, 26 de junho de 2016

O Vento Música












Ela passeava pelos campos de margarida. Longe, o sol se despedindo com o brilho de quem ama, assentou nos seus cabelos, cristalizando o dourado em subtons de paixão e desejo de entrega.
  
Ela rodopiou nua por dentro, esta nudez  libertadora, com a pureza de pensamentos; surgindo, nascendo e crescendo na onda de amor que não se cala. Até o silêncio é música sem escala, que se fez vento à noite, no qual todas as janelas se abrem para sua imensidão.

Ela aprecia o vento lhe envolvendo e, sem voz e sem pensamento, deixa ele ser seu dono...



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Lauri Blank










sexta-feira, 24 de junho de 2016

A Menina que Gostava de Perguntar, Mas Não Gostava de Mentiras.












Estou eu aqui novamente voltando para a minha infância, mas coleciono algumas histórias boas de serem contadas, talvez não escreva tão bem como as tenho guardadas na minha caixa de histórias. Esta caixa foi presenteada pela minha avó. Quem teve uma avó contadora de histórias, fica com os olhos a brilhar na luz da imaginação...

A minha avó tem muita responsabilidade pela minha alegria de criança e também por sempre gostar de saber como tudo funcionava, antes de escurecer as repostas, sempre tinha as  perguntas que não calavam o final sem propósito.

Qualquer experiência nova ou lugar novo, sempre vinha com as minhas perguntas, para desagrado dos adultos que não gostavam de responder e nem de pensar.

Assim começou a tragicomédia das minhas idas aos dentistas. Minha mãe levando a mim e minha irmã, sem nada dizer para quê e o que fazer lá. A minha irmã (mais velha dois anos), entrava primeiro na sala; aquele silêncio absoluto e, depois de certo tempo, ela saia com um lenço na boca, acompanhado de um olhar triste e quando eu falava com ela, não podia responder por conta da anestesia.  A minha mãe com um sorriso discreto e voz autoritária, dizia que era a minha vez de entrar, e ali, percebi que o ambiente era deveras desagradável. Fui sentada naquela cadeira cheia de mistérios ligados a experiências dolorosas que eu não estava nem um pouco receptiva para vivenciá-las. Com toda a minha rapidez de observação, analisei as minhas armas de defesas.  Começava o espetáculo: gritei, mordi o dedo da minha mãe, chutei a barriga do dentista e fugi da cadeira misteriosa, identificada como perigo à vista. Nos meus 6 para 7 anos, tinha uma força de não aceitar  o que me era imposto e desagradável; sendo os motivos explicados e com carinho, tudo acabava bem. Mas, não suportava mentiras, se me contassem alguma mentira para me convencer, era a certeza de que eu não seria uma cordeirinha obediente.

Depois de um mês fomos levadas para outro consultório de dentista e desta vez, a minha mãe, aconselhada por alguém, inventou uma história para me convencer. Ela não escutou a minha avó que dizia: fale a verdade para Suzete, diga com jeitinho e tudo ocorrerá bem. Eu, toda alegre, pensando que ia para o cinema e tomar sorvete depois do filme. O filme era o encontro com a tal cadeira e o dentista, e desta vez, foi traumático: fui anestesiada, mas  não deixei o dentista concluir o procedimento; fiz o meu espetáculo com chutes, gritos e fuga para a sala de espera, e lá, todas as crianças fizeram coro comigo no choro e na gritaria.

Noutro dia, pela manhã, a minha mãe querendo saber o motivo daquele meu comportamento, já que nunca tinha me comportado daquele jeito. Eu questionei as mentiras e voltei a querer saber qual a razão de aceitar ir para um lugar ruim daquele, ela disse que era para saúde e eu perguntei por que tem que sentir dor, para ficar com saúde nos meus dentes? Ela nada respondeu.

Meu irmão, (mais velho 8 anos), disse que ia me levar a uma dentista maravilhosa - ele tinha motivos bem específicos: queria namorar com a jovem dentista. Minha mãe disse: é melhor eu ir junto ou com sua irmã, pois Suzete pode manisfestar um comportamento desobediente e ele, muito confiante, disse que com ele seria diferente. Prometeu sorvete no final, mas não contou nenhuma mentira sobre o local. Fui sabendo que era dentista, mas não esperava sentir medo da tal cadeira “perigo” e aconteceu. Desta vez, a dentista bem calma, disse que não ia fazer nada e me liberou. Aconselhou uma professora dela e deu o endereço do seu consultório para meu irmão. Na despendida, eu com lágrimas perduradas nos olhos, lhe pedi desculpa, por me comportar mal, já que meu irmão queria namorar com ela, e todos ficaram rindo,  o meu irmão olhou para mim com censura. Pedi o sorvete, ele  negou e depois me levou para sorveteria perto do consultório. Quando estávamos lá, chegou a assistente da dentista com recado para meu irmão, ele todo animado, olhou para mim disse: quer mais sorvete ? Eu, de imediato, pedi outro de chocolate. 


Fui para dentista recomendada, com a minha mãe, e ela toda preocupada com o meu comportamento. Quanto entro no consultório, localizo a cadeira “perigo”, mas a dentista (uma senhora simpática), me chama para sentar no sofá, de costas para cadeira “perigo”. Pergunta-me se gosto de conversar, eu digo que sim. Ela, de forma muito gentil, me diz que eu sou uma menina linda, meiga e magrinha, e não consegue acreditar no que a minha mãe relatou sobre o meu comportamento. Com um jeito bem engraçado, ela me diz:”É exagero da mamãe, né?”. Eu lhe digo que é tudo verdade, fiz aquilo tudo mesmo. Ela me diz de forma mais engraçada ainda: ”Por acaso, quando você crescer será lutadora?”. Eu neguei com o gesto da cabeça. E, antes que ela me fizesse mais uma pergunta, afinal eu que gosto de perguntar, lhe disse que não gosto de mentiras e fui enganada sobre ir ao dentista. Ela olhou para mim, dizendo que apreciava muito  meninas que não gostavam de mentiras e que, como eu gostava de saber como tudo funcionava, ela responderia às minhas perguntas todas. Eu fiz todas as perguntas sobre cada coisa da cadeira “perigo” e depois me sentei sozinha e disse, podemos começar o tratamento. A dentista fez um acordo comigo: todo o instrumento que ela ia utilizar me dizia o nome e a função do mesmo, e também, qualquer dor que eu sentisse, apertava o seu braço e ela parava. Depois de horas com ela, sai de mãos dadas, e para surpresa da minha mãe, com o tratamento concluído. Ela deu os parabéns para minha mãe, pela filha educada, inteligente e corajosa. Minha mãe pegou a minha mão e deu um beijo na minha testa. E eu disse: A Doutora Lourdes falou para a senhora comprar sorvete para mim. Quero só de chocolate para a menina mais corajosa do mundo!... A minha mãe com aquela voz sorridente e autoritária: ’’A menina mais corajosa do mundo depois que tomar o sorvete, escova os dentes e vai sempre ao dentista quando precisar, certo?”. E respondi: “Claro que sim, já sei como tudo funciona, Mainha!” E perguntei: “O medo é quando a gente não conhece , se for explicado, melhora, porque a senhora não explica antes? Ela resmungando e caminhando, “Ah, Suzete!...”


método autoritário da minha mãe educar, sempre veio preenchido de amor e proteção; ela tinha um zelo de cuidar e uma sensibilidade intuitiva de sentir, por um filho, tudo o que se passava dentro dele. Muito antes da sua morte, ela conversou comigo e disse: "Minha filha, se eu tivesse mais instrução, tinha educado com mais carinho; imaginava que precisava ser durona para que cada um de vocês seguissem um caminho bom, e graça a deus, são todos formados e bem encaminhados na vida. Você, uma menina linda, sensível e uma inteligência! E com este nariz arrebitado de só fazer o que fosse explicado!...rss".  Respondi para ela que a sua educação dada a nós, seus filhos, era a melhor riqueza que tivemos e, com esta educação, sempre soubemos nos posicionar na vida e valorizar o amor,  nos gestos de gentileza, solidariedade e sensibilidade humana. Ainda disse: A senhora é a melhor mãe do mundo! Ela me abraçou e ficamos no silêncio, entre lágrimas!... 



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Alex Alemany.





quarta-feira, 15 de junho de 2016

A Chuva Eternizada no Abraço...







or volta dos meus 8 anos, morava perto da escola, quase um quilometro de distância da minha casa. Mesmo assim, a minha mãe me levava e ia buscar sempre. Neste período, eu estudava à tarde. Confesso que não gostava quando a minha mãe interrompia as minhas brincadeiras e ordenava que eu fosse tomar banho, para ir à escola; era quase uma morte das minhas horas de prazer, vestir aquele uniforme que todos vestíamos, achava uma monotonia e falta de colorido a perturbar a liberdade do meu imaginário e da minha individualidade.

A minha mãe era super protetora e autoritária, mas tinha uma presença mágica em cada detalhe, e com tantos talentos. A casa e tudo era cercado pelo seu gesto e suas construções femininas de bordados, pinturas. Tanto eu e quanto a minha irmã, éramos vestidas com roupas belíssimas, confeccionadas por ela. Eu sempre pedia para fazer a mesma roupa para minha boneca.

A minha mãe tinha fobia em relação ao barulho de trovão, era algo que a perturbava de forma sem controle, uma fobia mesmo! Todos da família sabiam que se chovesse muito com trovão, ela precisava de socorro. Ela ficava assustada e buscava abrigo; se estivesse em casa, ficava na cama debaixo de cobertas sobre a cabeça e quando passava o trovão, tudo normal.

Ela me deixou na escola, com um beijo rápido na cabeça e seguiu com o olhar a minha entrada na sala de aula. No meio da tarde começou a chover muito e de repente os trovões. Quando na saída, a Freira do colégio me avisou para esperar o meu irmão mais velho que vinha me buscar. Imediatamente me lembrei da minha mãe e não pensei duas vezes, saí correndo do colégio para minha casa, tomando um banho de chuva, com o pensamento fixo de salvá-la do medo do trovão, ela estava sozinha em casa e quem iria protegê-la?

Quando cheguei a nossa casa tudo fechado e eu a gritar por ela bastante tempo. A vizinha tinha levado-a para sua casa e me chamou. Entrei e fui para os braços da minha mãe, chorando e ela também, eu dizia soluçado que queria protegê-la do trovão, ela com uma toalha bem fofa me enxugando, dizendo que eu era muito corajosa, mas nunca mais fizesse isso, tinha que esperar um adulto para me buscar na escola. A vizinha se aproximou de mim e disse: “muito bonito este seu amor pela sua mãe!” e me deu um beijo na testa.

Noutro dia, fiquei em casa com gripe, por conta da chuva que levei, mas a minha mãe cuidando de mim e eu com status de super-herói, na cama brincando com as minhas bonecas e aconselhando a não andar na chuva sem capa.

Até hoje me lembro das cenas e o meu sentir de socorrer a minha mãe do medo e, quem sabe, isso não teria me levado à escolha da minha profissão de Psicóloga. A vida tem mistérios tão belos construídos num bordado de sentidos e significados.

Sempre que chovia com trovão, onde eu estivesse, telefonava para minha mãe, para saber dela. Após a ligação, eu me encontrava com a minha menina correndo na chuva e o nosso abraço. E, assim, a minha mãe, a minha menina e o nosso abraço moram sempre dentro de mim, com o lembrete do amor que cuida e abraça no grito de socorro!...



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)




segunda-feira, 13 de junho de 2016

Beija-flor Azul












Um beija-flor
Azul entrou na minha janela,
Beijou meus lábios sem cerimônia 
E com a certeza de pertencer aos meus sonhos
De todas as noites.

Um beija-flor
Azul entrou na minha janela,
Voamos sem rumo
E depois numa estrela da madrugada
Celebramos o nosso amor
Sem realidade.

Um beija-flor
Azul sem destino,
Sussurrou que a vida
É um voo,
Abracei as suas asas
Para o voo além
Da minha janela...



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Manuel Nunez.









segunda-feira, 30 de maio de 2016

A Menina de Cabelos de Sol...







Depois de saboroso lanche feito com seus doces caseiros e o bolo da vovó, sentávamos, na cadeira grande de balanço, eu com 7  anos, no seu colo, à hora das histórias inventadas por ela, como música na construção do meu imaginário e na marcação do som, a cadeira de balanço no ritmo da minha curiosidade infantil acelerada ...

“Era uma vez uma menina dos cabelos de sol, loiros e longos até a cintura. Morava no mundo do Sol, tudo lá era dourado e brilhante... Não existiam brigas, todo mundo falava pelo pensamento e no pensamento, as palavras são mansas, moram bem perto do coração. A menina e sua família viviam felizes e lá todas as famílias eram felizes. Todas as casas tinham jardins de rosas de todas as cores e perfumes. Não tinha noite, pois o Sol é que regia sempre; uma vez a um ano tinha uma Lua cheia que ficava por 7 dias e ela e o Sol ficavam juntos, como uma dança. Alguns momentos ficavam noite com clarão da Lua e outros dia com o Sol regendo. Um dia o Sol brigou com a Lua cheia e todos foram atingidos por essa briga. Ninguém mais entendia o outro. As famílias começaram a brigar todos os dias. Quem foi mais atingida foram as rosas e todas morreram: algumas queimaram, outras murcharam e se despetalaram... A menina, que era muito amiga das rosas, ficou muito triste e nunca tinha conhecido a tristeza. Os seus olhos ficaram sem brilho, a sua voz sem o canto e não queria mais dançar. Enquanto todos brigavam, ela, a única que ficava calada e triste num canto do jardim sem rosas... “

Eu queria saber o que aconteceu com a menina e a minha avó me fazia esperar para outra tarde de sessão de histórias inventadas e contadas por ela. Eu aguardava esta tarde com os meus olhos brilhando de curiosidade, imaginava que o tempo era muito chato e não gostava de histórias, pois demorava tanto para chegar o dia... Ficava perguntando as horas para minha mãe e ela, intrigada, me dizia: "que tanto eu queria saber das horas?...”

Quando cheguei à casa da minha avó, de imediato fui para cadeira de balaço, argumentando que precisava saber da menina dos cabelos de sol e o lanche ficaria para depois da história contada... Ela riu, dizendo que eu tinha fome de história imaginada!...

“A menina dos cabelos de sol estava muito fraquinha, não queria mais abrir os olhos para o mundo desmantelado daquele... Nem a mãe dela notava que a tristeza nela, estava sugando a sua luz-vida, todos continuavam na animação para as brigas de dia e de noite, de noite e de e dia... Foi quando o Sol resolveu se separar de vez da Lua cheia e, assim: os dias ficaram com o Sol e as noites com a Lua, mas a Lua muito contrariada com a decisão do Sol, resolveu se expressar por períodos, os seus sentires femininos na oscilação das vibrações. Ela passou a influenciar as marés e o mundo do Sol nunca mais ficou o mesmo. Todos se acostumaram com o mundo do Sol desfeito, mas ela não. Um dia bem cedinho, antes de o Sol nascer, ela fugiu para dentro dele e hoje aqueles raios do Sol, fininhos, são os cabelos dela!...”

Enquanto comia o meu lanche, não parava de pensar na menina e perguntei a minha avó:
- A menina ficou alegre lá. Naquele lugar a tristeza nunca mais vai entrar nela, né isso, minha avó?
- Ela pode ser maior que a tristeza! (minha bonequinha...)
-A senhora devia contar essa história para Mainha e meu Pai pararem de brigar. Os adultos brigam muito! Nós, crianças, quando brigamos, fazemos as pazes logo...
-É, minha querida, as crianças sabem brincar com a vida!...
-Vou brincar com as minhas bonecas e todas irão morar no mundo do Sol, quando não foi desfeito...
-Vó, quando tiver bem chato lá em casa, eu voo até o Sol e fico com os meus cabelos junto com os cabelos da menina!...
- Sim. A menina era parecida com você!...
- Você sabe como voar?
- Sei, Vó. É fechando os olhos e imaginando!...
- Isso, minha bonequinha!... 




 Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)




Uma pequena pausa,
breve de volta a visitar cada
espaço para o voo da partilha
que tanto aprecio.

Beijo e Abraço de Paz!

terça-feira, 24 de maio de 2016

Cadê as Minhas Asas?






Uma morte que me dilacera em

Cortes pequenos do meu sol desfalecido,

Como uma rua deserta que me circula,

A única porta sou eu,

Sentada à minha espera.


Frágeis janelas que abrem e sempre fecham.


Preciso dos pássaros

Para voarmos junto,

Hoje eu não quero o chão.





Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)







sexta-feira, 20 de maio de 2016

O Gesto da Existência











Minhas asas guardadas para amanhã.

O meu voo leva a liberdade
Nascida pela manhã;
Tem um tom vermelho do sol do meio dia.
As palavras são soltas,
A correr sem algemas
Da censura prévia.

A simplicidade passeia pelo o meu
Campo das ideias,
Gosto dos frutos das árvores com sabor
Da natureza molhada da chuva,
O banho de chuva no mar deserto,
As estrelas acesas no escuro do céu numa montanha.

Gosto da vida num sopro
Morno do vento, a desarrumar o meu cabelo;
A tocar em mim,
O gesto da existência.






Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Lauri Blank.










sexta-feira, 13 de maio de 2016

Golpe?












Golpe?

Golpe sim.

A faca armada

            armadilha

           artimanha

          articulada
                                       
Esfaqueando a democracia.


Golpe?

Comboio de sombras que se locomovem

Pela madrugada,

Sombras insones,

Pesadas, que carregam as suas malas

Cheias de crimes e impunidades.


Golpe?

Num tempo usurpado,

Os dias claros ficarão com a sombra da ilegitimidade!...







Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)


Imagem: Obra de Alexey  Alemany.






quarta-feira, 11 de maio de 2016

Breve Noturno de Maio







Sakura






Maio nesta brisa suave e ondulada,

Fico nas gotículas de chuva

Tocando o mar no renascimento das ondas gigantes,

Assustando a rotina cinza.


O vento de maio anuncia delicadamente

A mudança de clima.

Mesmo que o calor não desista

Do seu papel principal,

Maio canta um breve noturno de sossego.





Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Keith Mallett.









quarta-feira, 4 de maio de 2016

Eterno Olhar...





Há uma saudade

Que me embala

Ao teu encontro,

Seguindo a lembrança

Da tua voz,

Que não faz mais

A viagem do retorno...

Só hoje,

Gostaria de abraçar-te, mãe;

Sentir a tua vida

Perto da minha,

Tocar a campainha

E encontrar o teu sorriso

(Algumas horas de diálogo

 E o teu olhar me protegendo).

Mas, este teu olhar

Ficou em mim

Num suspiro

Da tua presença...







Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)