Ela abria portas...
Cada vez mais sentia
necessidade de um espaço livre: a liberdade sempre foi o seu sopro de direção.
Nunca quis correntes amarradas no seu barco de sonhos. Nela não havia nenhuma
disposição de seguir padrões impostos.
Sempre gostou do voo
livre e verdadeiro, mas sem nenhum risco de suicídio, evitava a queda livre e
preservava o equilíbrio das emoções.
Numa manhã de sábado,
ao se dirigir ao seu jardim, não encontrara mais os jasmins predominando o
espaço com a suavidade etérea. As rosas vermelhas, todas enigmaticamente
abertas, de uma beleza avassaladora e magnética, guiaram-na a uma nova porta.
Ela não quis abrir...
A porta estava aberta.
Ela sentiu os reflexos do sol que vinham do novo espaço. A luz solar abraçou
seus cabelos loiros com um calor que a atraia e a assustava.
Imediatamente colocou
as suas asas para o voo conhecido, no maravilhoso percurso existente. Por um
instante sentiu aquele calor...
Ela não abriu a porta.
A porta continuava
aberta?!...
Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)