
Eu não sei jogar.
Deixo aos grandes
jogadores,
Com o seu tabuleiro de vida
Em xadrez,
Que eles façam as
suas apostas.
Eu não sei jogar,
O meu olhar é muito
transparente
E as verdades pulam
dele
No mergulho do profundo nada .
Eu não sei jogar,
As minhas mãos permanecem limpas.
A limpidez da palavra
consciência
Cabe nela, como uma
faça
Corta ao meio o
desvio....
Eu não sei jogar,
Artifícios e
armadilhas
Que me fizeram,
Ficaram desativados,
Como obstáculo nulo.
Eu não sei jogar,
A competição me provoca náuseas.
Gosto de sentir somente o ruflar
Das borboletas coloridas que guardo dentro de mim.
Solto-as no quarto escuro das ilusões
E elas trazem o meu sorriso de volta...
Não sei jogar,
Todos os meus sonhos me
pertencem
E cabem nos meus olhos de viajante.
Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)
Imagem: Obra de Vladimir Volegov.