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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Ser Viajante...













Eu não sei jogar.

Deixo aos grandes jogadores,

Com o seu tabuleiro de vida

Em xadrez,

Que eles façam as suas apostas.


Eu não sei jogar,

O meu olhar é muito transparente

E as verdades pulam dele

No mergulho do profundo nada .


Eu não sei jogar,

As minhas mãos permanecem limpas.

A limpidez da palavra consciência

Cabe nela, como uma faça

Corta ao meio o desvio....


Eu não sei jogar,

Artifícios e armadilhas

Que me fizeram,

Ficaram desativados,

Como obstáculo nulo.


Eu não sei jogar,

competição me provoca náuseas.

Gosto de sentir somente o ruflar 

Das borboletas coloridas que guardo dentro de mim.

Solto-as no quarto escuro das ilusões

E elas trazem o meu sorriso de volta...


Não sei jogar,

Todos os meus sonhos me pertencem

E cabem nos meus olhos de viajante.







Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Vladimir Volegov.