Parece que existe uma escada: cada um busca subir
aceleradamente ao alcance do holofote dos “nadas”; o engano do “astro” no palco
em que se desfaz a vida...
Nos bastidores se guarda a coleção das dores, debaixo dos
travesseiros. A gaveta da memória se abre para aqueles em quem o sorriso povoou
um cenário vivo do amor!...
A vida circula nas ondas dos afetos; na simplicidade das
entregas e fica nos elos de cumplicidades. A partilha é a viagem da vida, mesmo
na morte dos minutos cristalizados em passado. A vida no signo do veículo do
amor, é para sempre!...
Dedico a todos, no espaço de cada um, encontro a arte singular e bela. Encantadora aos meus olhos... PS: Para mim, o poeta não só é quem escreve, mas também o que sente, olha o mundo e traduz em arte.
Ela caminhou, caminhou pelo seu espaço aberto de certezas, tão suas, que tocava uma a uma, no reconhecimento da sua história. A sua memória de caixa azul, na qual todas as borboletas do seu céu da boca voavam nas manhãs ao redor do sol.
O silêncio que lhe acompanhava, tocava para as borboletas se sentirem livres dos ruídos urbanos; esperava a paz vesti-la numa suave valsa de sentidos que sempre lhe pertenceram.
Ela sabia que cada dia é como folha a ser vestida no calor da emoção, mas o raciocínio claro como uma faca a fez cortar o pessimismo intruso e deixar as mãos dançarinas nos gestos do amor.
Foi quando ela desnudou todo o seu pensamento e constatou a vida dentro dela, que canta a alegria, numa dose equilibrada de sossego!
Suzete Brainer (Direitos autorais registrados) Imagem: Obra de Chistian Schloe.
Suzete Brainer (Direitos autorais registrados) Aviso: Quando voltar ao ritmo normal do voo da partilha, visitarei os espaços de arte dos amigos... Beijo e Abraço de Paz!
O verão com as suas
palmas os seus mormaços os seus
[ventos de sôfrega mocidade
Debalde os teus afagos
insinuavam quebranto e molície
O instinto de
penetração já despertado
Era como uma seta de
fogo
Foi então que minh’alma
veio vindo
Veio vindo de muito
longe
Veio vindo
Para de súbito
entrar-me violenta e sacudir-me todo
No momento fugaz da
unidade.
Autor:Manuel Bandeira.
Livro:poesias reunidas
Estrela Da Vida Inteira.
Manuel Bandeira: Nasceu
na cidade do Recife, Pernambuco, no dia 19 de abril de 1886. Em 1913, Manuel
Bandeira convive com o poeta francês Paul Éluard, nesta partilha com o poeta
possibilita para a poesia do Bandeira o verso livre, o tornando o mestre do
verso livre no Brasil. Em 1921, conhece Mário de Andrade e colabora com a
revista modernista e se engaja no ideário modernista. Em 1940 foi eleito para
Academia Brasileira de Letras. Ao completar oitenta anos, em 1966, publica “Estrela
da Vida Inteira”. Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho faleceu no Rio de
Janeiro, no dia 13 de outubro de 1968.
Belchior, um poeta eterno que, na excelência das suas canções,
evoca emoção e humanidade, numa poesia musical, original e atemporal.
O poeta compositor-cantor-intérprete desprezava a
fama-dinheiro como uma dupla explosiva de alienação, porém, com uma
singularidade rara que cantava:
"Não sou feliz, mas não sou mudo
Hoje eu
canto muito mais.” (Música: GALOS, NOITES E QUINTAIS).
Eu tive a dificuldade de escolher as suas músicas, amo a sua
poética musical e por isso resolvi deixar duas músicas com as letras aqui
neste meu espaço.
Quando um Poeta morre escurece o mundo. Ficamos com a claridade
da sua poética a nos guiar na beleza eterna da arte!...
Viva a Música Brasileira!!
Viva o Músico-Poeta, o Artista Belchior!!
Suzete Brainer (Direitos autorais registrados).
PARALELAS Dentro do carro, sobre o trevo a cem por hora, oh! Meu amor Só tens agora os carinhos do motor E no escritório em que eu trabalho e fico rico Quanto mais eu multiplico diminui o meu amor
Em cada luz de mercúrio vejo a luz do seu olhar Passas praças, viadutos, nem te lembras de voltar De voltar, de voltar
No corcovado quem abre os braços sou eu Copacabana esta semana o mar sou eu Como é perversa a juventude do meu coração Que só entende o que é cruel e o que é paixão
E as paralelas dos pneus n'água das ruas São duas estradas nuas em que foges do que é teu No apartamento, oitavo andar, abro a vidraça e grito Grito quando o carro passa: teu infinito sou eu, sou eu, sou eu, sou eu
No corcovado quem abre os braços sou eu Copacabana esta semana o mar sou eu Como é perversa a juventude do meu coração Que só entende o que é cruel e o que é paixão
Na Hora do Almoço No centro da sala, diante da mesa No fundo do prato comida e tristeza A gente se olha, se toca e se cala E se desentende no instante em que fala Medo, medo, medo, medo, medo, medo Cada um guarda mais o seu segredo, A sua mão fechada, a sua boca aberta, O seu peito deserto, a sua mão parada, Lacrada, selada, molhada de medo Pai na cabeceira, é hora do almoço Minha mãe me chama, é hora do almoço Minha irmã mais nova, negra cabeleira Minha avó reclama, é hora do almoço Moço, moço, moço, moço, moço, moço Que eu ainda sou bem moço prá tanta tristeza Deixemos de coisa, cuidemos da vida Pois se não chega a morte ou coisa parecida E nos arrasta moço sem ter visto a vida
O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo. Autora: Clarice Lispector.
Clarice Lispector: Nasceu em Tchetchelnik, pequena cidade da Ucrânia, e chegou ao Brasil aos dois meses de idade, naturalizando-se brasileira posteriormente.Criou-se em Maceió e Recife, transferindo-se aos 12 anos para o Rio de Janeiro, onde se formou em Direito, trabalhou como jornalista e iniciou sua carreira literária. Viveu muitos anos no exterior, em função do casamento com um diplomata brasileiro, teve dois filhos e faleceu em dezembro de 1977, no Rio de janeiro.
Num mundo repleto de "espertos", Ser "bobo" é um ato poético, lírico, transgressor e libertador!...
Viva o estado de Ser "bobo"!
Eu sou boba com a grandiosidade da literatura da Clarice Lispector, com um ineditismo expressivo, que nos toca de forma inesquecível. A escrita da Clarice Lispector reside em nós para sempre...
Dois grandes Artistas nordestinos: Alceu Valença (pernambucano e autor da música - Coração Bobo -) e Zé Ramalho (paraibano), nos deixa bobos num encantamento ao escutá-los!