sábado, 17 de junho de 2017

Sem Voo...





Resultado de imagem para imagem de pintura de Christian Schloe





Tem dias que tudo
Fica no oco do vazio.
Palavras se desintegram
E o olhar não viaja
Pela  beleza.
A poesia se quer crua
Na lucidez de uma realidade limitante.
Verbos como navalha a cortar
A mortalha da nostalgia;
Uma lembrança qualquer no terreno
Da infância repleta  de risos
Que restabeleça o voo da fantasia...

O som colhido pela memória...
A voz da minha avó
A me dizer:
“Tu sabes voar, minha bonequinha?”



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Chistian Schloe.



21 comentários:

  1. Belíssimo poema! Há mesmo dias assim em que queremos voar, mas não conseguimos porque temos o peso do passado sobre nós. O que vale é que amanhã é um novo dia e um num novo voo nos podemos lançar.
    Infelizmente não tenho voado muito por aqui e está complicado voltar, mas sempre que puder passarei por cá!
    Bom fim-de-semana, beijinhos.

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    1. Querida Rita,

      Toda razão, existem dias e momentos na vida assim.
      Aprecio tanto a tua presença aqui, mas compreendo
      as impossibilidades do tempo disponível, isto
      acontece comigo neste momento. Quando puder, irei
      no seu espaço de arte poética que eu aprecio muito!!
      Grata pela sua gentil presença com comentário
      atencioso e generoso.
      Uma semana luminosa e alto astral para você!
      Beijinhos.

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  2. Que lindo e há dias assim...Beleza de poesia! bjs, chica

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    1. Querida Chica,

      É mesmo, Chica.
      Muito grata pela sua gentil presença e
      comentário generoso!
      Meus votos de uma semana luminosa e alto astral
      para você!
      Beijos.

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  3. Áh, que bonito!! Amei de verdade. Parabéns

    Beijos e bom Domingo

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    1. Querida Cidália,

      Sempre grata pela sua gentileza ímpar e
      carinho amigo aqui!

      Uma semana luminosa e alto astral para você!
      Beijinhos.

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  4. E a avó acreditava que a menina voava... Um poema muito belo, ligado à memória que se procura quando a vida é como um anel de silêncios que nos cerca...
    Uma boa semana.
    Beijos.

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    1. Querida Graça Pires,

      A avó especial (contadora de histórias...) que eu tive,
      não somente acreditava, mas ensinava a voar.
      Tem razão, poeta, sobre este anel de silêncios,
      faz parte da vida e em todas as vidas...
      Grata pela sua presença gentil aqui!
      Um boa semana para você!
      Beijos.

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  5. Que lindo poema Suzete. Você fez um voo belíssimo de retorno a infância retomando a poesia registrada na fala da avó, rica e visionária de sabedoria. Que seria de nossos voos, sem o carinho e ou a lembrança que nos construiu. Belo. Um abraço. Adorei.

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    1. Querida Lourdinha,

      Eu adorei a sua leitura e percepção do poema,
      em sintonia total com o meu sentir poético.
      Faco eco da sua frase: "Que seria de nossos voos,
      sem o carinho e ou a lembrança que nos construiu."
      Muito belo e sublime o seu comentário!...
      Muito grata!!
      Beijinho.

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  6. Eu sei que sabes voar Suzete pelo poema que voa!

    Beijos e voe mais!

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    1. Querida Luíza,

      Com seu olhar de poeta, sabe a importância da Poesia
      como voo...
      Grata pela sua presença aqui com este seu
      olhar especial!
      Voemos com a Poesia, então!
      Beijos.

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    1. Querida Graça,

      Sempre grata pela sua presença carinhosa e
      leitura generosa!

      Muito triste a tragédia que aconteceu em Portugal,
      minha solidariedade com esta dor...

      Beijinhos.

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  8. Hoje, para não me esquecer, deixa que te diga que uso muito as obras de C.S; é fantástica a sua expressividade e significância. E esta escolha é perfeita para o poema, um poema saído da herança da tua avó, em que os sons, os cheiros, as palavras são lembranças a adocicar os nossos dias
    Belo! Bj, Suzete

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    1. Querida Odete,

      Como aprecio a tua leitura e percepção do poema
      em total sintonia com o meu sentir poético...
      Sim, precisamos de lembranças históricas e de
      raiz (na infância nos afetos...) para adocicar
      os dias e principalmente neste meu País pelo avesso...
      Sempre grata pela preciosidade deste nosso elo de
      partilhar o caminho da poesia (do escrever...)
      uma da outra.
      Muito grata pela tua valorosa presença aqui!!
      Bjos.

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  9. É curioso, o que faz despoletar uma memória... às vezes um som, um cheiro... e voamos no tempo, de volta ao passado!...
    Um poema que o expressa muito bem, Suzete, através das suas doces inspirações, cheias de encanto e leveza...
    Beijinhos! Bom fim de semana!
    Ana

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    1. Querida Ana,

      Você é tão especial, a arte mora em você, sensibilidade
      para ler, sentir, perceber e acrescentar para quem
      escreve, a preciosidade dos seus comentários belíssimos
      e profundos, tudo no tom da sua generosidade do tempo
      que ficou aqui nas leituras atenciosas e incentivadoras
      no meu exercício com o escrever...
      Muito grata por este comentário e todos os outros
      anteriores feitos por você e que têm um imenso
      valor para mim!!
      Beijinhos e um abraço afetuoso bem grato pela
      sua generosidade de sempre, minha querida Ana Luz!...

      Ps: Assim que puder, irei no seu original
      espaço de arte, um voo longo e demorado lá...rss

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  10. Este é um poema que me toca sobremaneira, que me leva na beleza do teu voo, no riso da infância e, sobretudo, no mimo da avó. Sem esse mimo, as nossas asas teriam menos alcance.
    Sinto-me aqui e contigo, minha querida amiga.
    Mil beijos.

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    1. Querida Teresa,

      Tão sensibilizada com este teu carinho!...
      Mimo de avó é tão mágico e faz tanta falta...
      Tão valorosa a tua presença neste elo de partilha
      no caminhar com a poesia e do exercício do escrever!

      Parabéns pelo teu novo livro e assim que puder,
      irei voar no teu espaço que aprecio imensamente...

      Muito grata, minha querida amiga.
      Mil beijos.

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