segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Gotas de Orvalho





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A palavra por dentro
Vestia rosas amanhecidas
Com o frescor da emoção,
Colhida pelo coração da vida.

A vida se passa no coração
Inquieto,
Insubmisso,
Com gotas do orvalho,
Discretas,
Invisíveis,
A tornar-se música
Numa escala dos dedos.






Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Alexandrina Karadjova. 




                    

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Voo das Borboletas





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Não cala a verdade
Que respira em sílabas de
Um silêncio leve,
No qual a alma pousou,
Bordando a infinitude
Breve...

Nos olhos,
A pintura do voo das borboletas
Num jardim bem perto.





Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Alexandrina Karadjova. 



sábado, 11 de fevereiro de 2017

O Brilho do Anonimato...





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A sua avó disse um dia: “a caminhada precisa ser com os pés no chão, para sentir o contato com a terra; sendo as escolhas com o coração, e a coragem de mudar de rumo se for necessário...”.

Ela entendeu que no coração se guarda a dignidade dos sentimentos e, na coragem, a vontade de seguir na coerência dos seus valores nobres.

Resolveu equilibrar nas mãos limpas todos os sonhos existentes no seu olhar e todos os mapas de responsabilidades, para que seus passos sejam pequenos voos de instantes no seu anonimato.


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Richard S. Johnson.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O Mistério do Simples





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Nada de peso,
por dentro textura suave
com gestos de garça...

pequenos e simples prazeres
na colagem invisível
das paisagens da minha janela.

A música no piano,
a silenciar ruídos
desnecessários.
O olhar no registro, a colecionar
cenas poéticas do imprescindível  sentir;
a fragilidade efêmera da vida,
guarda o mistério da entrega.





Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Iovka Mechkarova






                      


O Blog em pausa devido à minha indisponibilidade de tempo.
Quando eu puder eu voltarei.
Agradeço a todos pelas leituras e comentários atenciosos.
Beijo e Abraço de Paz!
Suzete.

Ps: Continuarei a publicar os comentários, pelos quais,
      agradeço antecipadamente.


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Ela Atemporal





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Ela olhava as setas de armadilhas expostas em coluna vertebral da esquina dos enganos. Decidiu silenciar os ecos de qualquer utopia de um mundo fraterno.

Sabia o quanto o seu coração vagamundo pousava no "coração vagabundo" bossa-nova, na voz do João Gilberto, cujo sonho de uma época que não foi sua, mas escolheria pousar naquele espaço-tempo em que a música soprava o amor numa delicadeza de eternidades; a entrega era uma suavidade  de certezas...

Ela no romantismo poético se perde na poeira deste mundo feito de estalos de dedos do imediatismo e, no ato de esconder os olhos na ignorância de não saber das janelas da alma, em que o brilho dos olhos diz mais do que as palavras, na interligação dos pensamentos, na viagem íntima do percurso libertário sem fios, sem bateria e sem erros.

Ela, com este coração frágil atemporal, voa para um tempo azul seu, e ao mesmo tempo, os passos seguem a caminhada na chamada das responsabilidades, no carimbo dos dias. 


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: obra de Richard S. Johnson.



sábado, 21 de janeiro de 2017

Pouso





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A minha vida

    Tem um doce perfume,

Que vaga

       Vaga-lume.

Um clarão discreto

De um tempo curto,

     (Pensamento)

De um sopro de segundo,

No claro e escuro;

     Vaga
    
     Vagamundo. 


Apenas, sei que a minha presença

    Faz pausa

   E pouso

Inspirando o jardim...




Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de  Iovka Mechkarova. 


domingo, 15 de janeiro de 2017

O Amanhã do Ontem...







         
Eu tinha dezesseis anos, carregava a minha poesia no equilíbrio dos dias entre uma rotina de estudos e leituras. O meu universo poético era secreto: não partilhava. Poucos sabiam que eu escrevia, e raros os que liam. Para mim, a poesia era um espaço meu, um sentir, um olhar... Quase uma inscrição da minha alma; a revelação deste meu olhar que não muda o mundo. O mundo permanece o mesmo, as pessoas também. Sempre preferi a minha viagem nas ondas do meu pensamento, construindo trilhas de voos imaginários, cobertos do amanhã, numa brevidade de constatação da roupagem do tempo que já se tornara ontem...

Nesta mesma  época, estava matriculada no cursinho para vestibular. A aula de Literatura era especial, o professor Tomás era um mestre no encantamento para a poesia. Márcia, uma amiga do cursinho, era a única que sabia que eu escrevia poesia, ela também escrevia. Depois de muitos pedidos dela, resolvi lhe entregar um poema meu para que ela lesse em sua casa.

No dia seguinte, na aula do professor Tomás, ele nos diz:
- Hoje irei analisar um poema de uma aluna desta sala, claro, com a permissão dela.
Quando a minha surpresa ao constatar o meu poema no quadro, e Tomás se dirigi a Márcia como a autora.
De súbito, fiquei em pé olhando para Márcia, com o meu silêncio questionador!...
Tomás imediatamente percebe algo estranho e verbaliza. Diante da atitude imperativa do professor, a Márcia revela que aquele poema não era dela, mas de uma amiga da sala (no caso eu...). Os poemas dela todos estavam assinados e aquele era o único que não, pois estava ali por engano.
Após a aula tumultuada, ele conversou com as duas. Eu estava muito perplexa com tudo. Quanto mais a Márcia tentava se explicar, a complicação crescia com novas dúvidas, que se encaminhavam para uma falta de lógica geral.

O professor Tomás foi a parte boa da história. Com ele aprendi muito do universo da poesia. Nunca esqueci das recomendações: assinar, ler, sentir e reler o poema; e a principal: a leitura ser um ato de amor. Ele dizia que há uma diferença muito grande daquele que se esforça a ser um poeta e do que nasce poeta. Porém, para os dois tipos era necessário sempre aprender e evoluir no caminho da poesia. Ele somente não entendia a minha resistência em publicar os meus poemas. Conceituava a minha juventude como responsável pela minha introspecção e sentimento de posse sobre os meus escritos, num determinismo de não partilhar com o mundo. Assim, ele levava os meus poemas assinados, datados; retornando-os para mim, ricos com o olhar do mestre que amava e sabia do imensurável da poesia. Nas suas mãos, cada palavra era sentida e entendida com a beleza essencial de quem olha, toca e encontra o tom da afinação, a música já existente com todo o seu mistério...

Hoje, soube que ontem ele tinha falecido (complicações de um trasplante de coração). Logo ele, com um coração grandioso, repleto de registros poéticos.  

Esses amanhãs, do ontem, às vezes são muito dolorosos, mas quando focamos a emoção nas lembranças sublimes, a dor canta uma saudade doce.
Sabemos que tudo vale a pena, quando a alma não é pequena. Como dizia o maior de todos os poetas, o Fernando Pessoa.
                        
      

  Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)
   
  Imagem: Obra de Alberto Pancorbo.