quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A Tarefa da Luz





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Arrumar cada

         Passo

            Na fileira do pensamento

                Flutuante...


Desarrumar as estações

        Feitas

           Do ontem.


Renascer nos dias

       Com a nova

          Pele dos desejos.


A luz preenche

      Os vazios,

         Basta se desapegar!...






Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Do Google.

Aviso: Uma breve pausa no blog. Assim que voltar irei visitar
           os espaços amigos para o voo da partilha que tanto
           aprecio.
           Beijo e Abraço de paz!...


terça-feira, 29 de novembro de 2016

A Respiração da Alma...




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Saudade desfolhada
Em teu nome...
O registro das lágrimas no caminhar
Silencioso de ti, mãe!

Neste vazio,
Toco a sensação de abandono,
Talhado
(cristalizado),
 No dia do adeus.

Sinto o teu perfume
Na inscrição dos teus
Passos,
E descubro que tu tens asas.
Toda boa mãe adquire asas
Depois do adeus.
O olhar protetor se eterniza
Num abraço da tessitura
Da alma que respira!...


Sim, mais um poema para minha mãe, 
a desnudar a minha eterna saudade!


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de  Richard S. Johnson.



quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O Bordado da Vida





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Emudecem os dias sem pressa,
as folhas voam na melodia
da calma da página em branco,
tudo começa e recomeça nos
instantes de uma escolha.

A pressa é a morte lenta
das certezas,
retidas no olhar fechado.

A vida,
(nos instantes)
tem a beleza de bordar
as horas
em um novo olhar.




(Outubro 2016)



Suzete Brainer  (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Richard S. Johnson



terça-feira, 22 de novembro de 2016

Grandes Poemas Que Eu Adoro!...




Paisagem pelo telefone



Sempre que no telefone 
me falavas, eu diria 
que falavas de uma sala 
toda de luz invadida,
sala que pelas janelas, 
duzentas, se oferecia 
a alguma manhã de praia, 
mais manhã porque marinha,
a alguma manhã de praia 
no prumo do meio-dia, 
meio-dia mineral 
de uma praia nordestina,
Nordeste de Pernambuco, 
onde as manhãs são mais limpas, 
Pernambuco do Recife, 
de Piedade, de Olinda,
sempre povoado de velas, 
brancas, ao sol estendidas, 
de jangadas, que são velas 
mais brancas porque salinas,
que, como muros caiados 
possuem luz intestina, 
pois não é o sol quem as veste 
e tampouco as ilumina,
mais bem, somente as desveste 
de toda sombra ou neblina, 
deixando que livres brilhem 
os cristais que dentro tinham. 

Pois, assim, no telefone 
tua voz me parecia 
como se de tal manhã 
estivesses envolvida,
fresca e clara, como se 
telefonasses despida, 
ou, se vestida, somente 
de roupa de banho, mínima,
e que por mínima, pouco 
de tua luz própria tira, 
e até mais, quando falavas 
no telefone, eu diria 

que estavas de todo nua, 
só de teu banho vestida,
que é quando tu estás mais clara
pois a água nada embacia,
sim, como o sol sobre a cal 
seis estrofes mais acima, 
a água clara não te acende: 
libera a luz que já tinhas.


Autor: João Cabral de Melo Neto.

João Cabral de Melo Neto: (Recife, 9 de janeiro de 1920 - Rio de Janeiro, 9
de outubro de 1999). Além de grande poeta, foi um diplomata brasileiro.
Pertenceu a geração de 45, terceira geração do modernismo.
Ao longo da sua trajetória de poeta escritor foi merecidamente agraciado com
diversos prêmios e honras literárias.
Foi membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Pernambucana
de letras. A sua poesia tinha como estrutura linguística, estética e formal na
base racional e num trabalho constante de aperfeiçoamento. O poeta era
avesso ao sentimentalismo e a inspiração. Neste aspecto da inspiração eu
discordo, para mim, a poesia inspirada tem um encantamento único. 







                          


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O Toque do Voo





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Um toque meu
no teu olhar de voo.
Tudo fica leve na
nudez das nossas mãos.

As palavras giram
em minha volta,
a colar nos meus
movimentos
toda a rota do
teu corpo.

O toque das tuas mãos
Na minha cintura
E a dança na amplitude
Dos nossos gestos,
Pousam na sala
Sem parede.
Ficamos na janela
Dos nossos olhos!...



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Richard S. Johnson.



quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Poesia e Música Que Eu Adoro!...





     Por Toda a Minha Vida 

    Oh, meu bem amado
       Quero  fazer de um juramento uma canção
       Eu prometo por toda a minha vida
       Ser somente tua e amar-te como nunca
       Ninguém jamais amou ninguém


       Oh, meu bem amado
       Estrela pura, aparecida
       Eu te amo e te proclamo
       O meu amor, o meu amor
       Maior que tudo quando existe
       Oh, meu amor


Autores: Antônio Carlos Jobim
                Vinícius de Moraes




     


       A Estrela maior e eterna, a querida Elis Regina!!



sábado, 12 de novembro de 2016

O Filósofo Burguês...







Lembro-me deste querido amigo com uma saudade dorida, mas sempre acompanhada de um sorriso. A nossa amizade sempre foi recheada pelo o humor; o meu amigo era um perito da ironia desconcertante e sedutora. Reclamava de mim, sempre dizendo que eu não levava a sério o seu mau humor e visão ácida (crítica) do cotidiano... 

Tínhamos filosofia e visão de mundo bem diferentes. No gosto musical, na literatura, cinema e artes em geral, éramos como irmãos gêmeos; estávamos na mesma sintonia. Ele não suportava o contato com a natureza, apesar de adorá-la como imagem de contemplação. Colocar os pés no chão, para ele, era despir a sua alma. Assim dizia: “nada melhor do que um ar condicionado; aquele botão para diminuir ou aumentar a temperatura; um bom livro na mão ocupando os olhos ao preenchimento da mente e à audição, o sublime noturno de Chopin...”

Não entendia a minha necessidade da natureza, a mãe terra. Por isso me apelidou de “menina das borboletas” e, por sua vez, o apelidei de o “filósofo burguês”.  Fora isso, era de uma humanidade luminosa e genuína (atitudes de solidariedade e altruísmo raros), mediante garantia de anonimato. Ele ria quando eu verbalizava que adorava “a sua gentileza rústica”.

Às vezes, quando nos encontrávamos para conversar no café; apreciar um cappuccino e trocar informações preciosas sobre literatura, música e artes em geral. Tudo saboreado pelo senso de humor... Ele afirmava:      
- Su, fico impressionado como tu és identificada com a minha geração. Só te localizo na geração a que pertences, nos teus projetos de “menina das borboletas”; pela sintonia com a natureza, meditação e autonomia feminina. Há uma diferença de gerações entre nós, que poderia constituir um abismo, entretanto, tu és a amiga mais próxima, a única que percorreu um caminho por dentro de mim (alma). A única que conhece o grafite do meu mau humor por todos detestado.  Só tu desabas de rir, não me levando a sério e me afastando do compromisso de ser intransigente. Mas não sou um intransigente qualquer, sou um intransigente irônico!
Antes de responder, observei que o meu amigo estava emocionado, como nunca tinha visto antes. Pressenti algo, uma sensação tão estranha, uma ausência (futura?) dele.
- Este “filósofo Burguês” está tão sensível hoje, que estou com saudade do seu lado grafite! Tem algo novo para me dizer?
- Sim. Minha namorada eu a amo, os meus filhos e os poucos amigos, também. Mas a ti, minha doce amiga, eu amo e adoro!...
- Essa despendida é por conta “deste adoro”, que só a mim pertence. Fico sem este abono e prometo suportar o teu humor grafite, sem nenhuma desmoralização, sem nenhuma crise de riso frouxo...

Fazia meses que não nos encontrávamos, sendo aquele o nosso último encontro regado da nossa amizade. Um dos melhores amigos que tive... Cada vez mais a minha listinha é curta, mínima. Amizade é uma joia rara de se encontrar; o mundo está repleto de joias falsificadas, de fácil acesso na vitrine das aparências.

Uma semana após o nosso encontro, recebi um aviso da sua namorada (ele era divorciado), que ele estava internado no hospital, aguardando uma cirurgia. Quando fui visitá-lo, constatei o cenário original: as enfermeiras sorrindo com o “texto hilário” do meu amigo, as palavras ironicamente pousadas no ambiente, transcendendo a monotonia habitual do hospital. 

No dia da sua cirurgia cardíaca, ele segurou a minha mão:
- Saindo desta sala pré-morte, irei participar dos teus projetos de “menina das borboletas”; respirar ar puro, meditar até o nada do silêncio, mas se não, irei para o nada do silêncio também... 

Eu só chorava num silêncio das palavras boiando numa dor latejante... Ele, com as mãos fazendo o movimento, como o das asas das borboletas...

Ele não resistiu à cirurgia. Até hoje, quando medito, encontro-o no silêncio do nada.

Hoje, seria dia do seu aniversário. Imagino que deves estar fazendo barulho no silêncio... Como sinto saudade do teu barulho sonoro (Beethoviano), meu amigo!...

Outubro - 2015


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Lídia Wylangowska.