sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Vozes Amigas nos Muros do Mundo



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Vozes amigas nos muros

Do mundo

Destroem as muralhas das

Indiferenças

Petrificadas em paredes

Humanas


Edificam-se gestos nas palavas

                    Ternos mudos passos

São voz tempo sonho

(Nossa voz é só uma)


Corpos anônimos

Carregam matérias vazias

De sentimentos...


        São nadas

São flores plantadas no asfalto


A minha voz encontra

A tua, amiga,

Formando pontes

De amizade

Entre mares e

Céus azuis estrelados

Vestidos de poesia

Em unidade humana


Somos nota do mesmo compasso

                              Verso da mesma letra

Almas unidas entre os espaços


Nas cores em partículas

Sonhadas de um mundo

Sem muros;

Sem olhos tristes de

Solidão cortante...


Todo o sonho tem a cor das pedras caídas

Da luz que entra em vitrais

                                  (Nossa letra é só uma)

Muros?

Em molduras

Arte em movimento

Vozes do mundo

Germinando

Sentimentos

Novos horizontes desenhando

Vidas que se interligam

No universo em movimento


Nascem estrelas no vazio

                     Cometas cruzam os mares

Muralhas quebram-se em pó

O que nos liga é a Palavra

                A voz é só uma, nosso traço


E o que ilumina

A nossa vida

nossos passos.





                                                              Dueto :  Suzete Brainer e Maria João Mendes.  


Poema reeditado (2012)

Imagem: Obra de Christian Schloe.


A minha voz amiga de saudade de ti, Maria!
Grata por esta parceria poética...
Que tu estejas bem com as tuas asas (poéticas) luminosas
em pleno voo de instantes significativos...
Beijinhos, Amiga.



                              

             
              

  
Partilha: Esta foi a minha primeira e única parceria poética. Uma parceria poética com a excelente, inspirada e sensível Poetisa Portuguesa Maria João Mendes. Neste espaço da blogosfera, existe a generosidade da partilha nos espaços de arte: poética, literária e fotográfica. Infelizmente, alguns blogs se encerram. Porém, a arte tem a força expressiva de se eternizar, por isso, partilho novamente este poema dueto.

Beijo e Abraço de Paz!

Suzete Brainer.


                              
              
                    
               

sábado, 25 de novembro de 2017

O dia começa com a tua luz...





Sabes, mãe,
penso em ti
          e,
              ao pensar,
tudo me leva ao amor,
num  rio calmo, sereno,
              feito de lágrimas,
que corre desenhando a minha
                        alma ao encontro da tua.
E uma saudade desfolhada
               de uma tristeza transcendida,
                       translúcida de alegria,
                                 preenche o verdadeiro espaço
                                       da tua presença,
                                               que me diz baixinho:
- Cabeça erguida, filha.
                           Cabeça erguida...
Olho,
         e o sol nasce.
O dia começa com a tua luz!...


   
      


 Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

 Imagem: do Google


 Partilha: Este é um dos primeiros poemas que fiz para minha mãe em 2012.
              Depois, vieram outros poemas e prosas poéticas. Ultimamente, sinto
              uma saudade "galopante" dela... Nada como colo de mãe, quando
              sentimos o peso do mundo nas costas. No caminho por dentro de
              mim, a encontro de braços abertos...     



domingo, 5 de novembro de 2017

O Respirar Frágil da Minha Pátria




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 Mundos
     Desmoronam-se
Nas ruas
Das incertezas
Do respirar
   Frágil
Da minha Pátria

Um colar
    Doloroso
De perdas
Incalculáveis
Acumula-se
No calendário das horas...

Olhares de
   Tristeza
Guardam-se
No ponto do medo,
Verticalmente
A passear
Nas calçadas.
E no vazio das madrugadas,
Horizontalmente
   Dormem,
Presos ao desespero!



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Chistian Schloe. 

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Acolhedora dos meus Silêncios...










Ela, magrinha, com os cabelos lisinhos corte a La  Channel, com a neve pousada nos seus cabelos. Tinha as mãos, para mim um sinônimo de carinho, o maior cafuné do mundo...

A minha avó: Uma contadora de histórias; sábia nos conselhos sem intromissão; humor em cada frase e respiração. Grande mestra de um silêncio repleto de cumplicidade, carinho e cura...

Ficava eu com a minha cabeça deitada no seu colinho magro, esperando a sessão de cafuné... Ela, eu e o silêncio...

A minha acolhedora dos meus silêncios, partilhava os meus voos nas ondas do meu Mar de pensamentos; viajávamos no bordado do sentir sem palavras (poesia na essência da raiz da entrega), almas seladas pelo o amor transcendental. Este que revoluciona o Ser por dentro com a marca da bondade.

Nossa cumplicidade daquele dia de sol nascendo...  O banho de mar tão sonhado que lhe prometia à revelia dos cuidados em excesso de Mainha. No nosso silêncio guardava aquela aventura, vinte minutos de folia no mar sereno que nos abraçava. Depois duas toalhas grandes que lhe empacotei com todos os risos nossos... Em casa mais cuidados: banho morno, secador nos seus cabelos nuvens e o mais difícil de dissolver: aquele sorriso de satisfação no seu rosto e nos seus olhos cheios de mar... Mainha pescava as nossas expressões faciais e percebia algo transgressor das suas rígidas recomendações. Nos duas num silêncio profundo de mar...

No dia da sua morte foi o silêncio mais insuportável que eu vivi...

Depois fui fazendo as pazes com ele. Entendendo e apreciando cada vez mais a preciosidade do sentir sem palavras!...


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Alex Alemany

Para minha avó: Uma tentativa de expressar toda a sua beleza amorosa eternizada em mim... Sei que o silêncio é o caminho que nos liga, nos proporcionando a certeza deste elo eterno!...

(Reedição).



                         

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Magia




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A menina aparece
da janela do peito,
com fome de sorrisos
que façam barulho,
clareando a noite das rotinas.

Dela
vem um abraço
com a força de um laço,
a carregar as horas
no espaço da leveza.

Tudo
numa perspectiva maior
a conduzir para a simplicidade
dos dias.

Magia,
o nome da menina,
respirando na retina da mulher.




Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Christian Schloe.


domingo, 22 de outubro de 2017

A Medida




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É de veludo a minha pele
a brotar as palavras
que me cabem e
livremente tocam os significados
irreverentes do meu olhar.

O meu livro
sem páginas
cria asas
no meu pensamento,
sobrevoando
no reconhecimento
a medida
da luz.




Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Alexandrina karadjova.



                     

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O Silêncio...


                            


                                                O silêncio:

                                                A jornada da minha alma

                                                onde as palavras se calam.

                                                O emudecer dos meus sussurros;

                                                a quietude de mim

                                                a transcorrer no silenciar

                                                o mundo,

                                                percorrendo o deserto

                                                da minha solidão permanente.


                                                A música do tempo,

                                                da esfera de dentro.

                                                A navalha que corta

                                                as palavras ao meio...


                                                A viagem da volta,

                                                a ausência dos que ficaram,

                                                o mergulho no esquecimento

                                                do passado inatingível

                                                dançando na linha do presente

                                                Impermanente!



                               Suzete Brainer ( Direitos autorais registrados)

                               Imagem: Google.

                               (Poema Reeditado).